Caso Emiliane: veja tudo o que se sabe jovem encontrada acorrentada em Goiás
Vídeo do resgate ganhou repercussão nacional e internacional e mostram o momento em que policiais encontram a jovem amarrada e chorando sobre uma cama

O vídeo da jovem Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, sendo encontrada amordaçada, acorrentada e presa a uma cama na sexta-feira (21), em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal chocou internautas. Ela havia desaparecido cinco dias antes, depois de ser vista saindo de uma clínica.
O ex-marido, Ailton Rodrigues Mendes, confessou ter dopado Emiliane com medicamentos antidepressivos e levado a jovem para o imóvel após um encontro dos dois para falar sobre a pensão dos filhos.
Os dois foram casados por seis anos, e se separaram em dezembro de 2025.
O caso ganhou repercussão nacional e internacional. As imagens do resgate mostram o momento em que policiais encontram a jovem amarrada e chorando sobre uma cama. O caso também foi noticiado pelo New York Post e chegou à lista de notícias internacionais mais lidas do veículo.
Veja o que se sabe até agora:
O que aconteceu com Emiliane?
Emiliane desapareceu na segunda-feira (17). Ela havia sido vista por uma câmera de segurança saindo de uma clínica.
Cinco dias depois, na sexta-feira (21), policiais encontraram a jovem em uma casa no Setor Jardim América III, em Águas Lindas de Goiás.
Segundo a Polícia Militar, Emiliane estava em um quarto, com braços, pernas e pescoço presos por cordas, algemas e uma corrente. Ela também usava uma máscara no rosto e apresentava dificuldade para respirar.
As imagens do resgate mostram os policiais entrando no imóvel e encontrando a jovem sobre a cama, amarrada e chorando.
Segundo as informações divulgadas pela polícia, Emiliane permaneceu cinco dias em cativeiro.
O ex-marido da jovem, Ailton Rodrigues Mendes, foi preso em flagrante. Uma pistola calibre 9 mm também foi apreendida na residência.
Como a polícia encontrou Emiliane?
A localização da jovem ocorreu durante as diligências realizadas após o desaparecimento.
Ao chegarem ao imóvel, os policiais encontraram Emiliane em um dos quartos, presa por diferentes tipos de amarras. Ela estava com o rosto coberto por uma máscara e apresentava dificuldade para respirar.
O que Emiliane contou sobre o cativeiro?
Após ser resgatada, Emiliane relatou que teria sido dopada e levada para o imóvel.
Ela também contou que, durante o período em que ficou presa, teria sido atacada com um pano molhado com uma substância. Em outro relato, afirmou que acordou já amarrada no cativeiro.
Emiliane já havia denunciado o ex-marido?

A jovem relatou episódios anteriores de violência que atribui a Ailton.
Segundo Emiliane, o ex-marido teria estourado bombas na casa dela, quebrado uma câmera de segurança e colocado soda cáustica na caixa d'água.
Ela também havia procurado a Justiça em busca de medidas de proteção. A situação envolvendo as medidas protetivas é um dos pontos que estão sendo discutidos após o caso.
A delegada da Mulher de Águas Lindas de Goiás contestou a afirmação de que a Polícia Civil não teria prestado apoio à jovem. Segundo ela, Emiliane teve uma medida protetiva concedida em 2020, mas a decisão foi posteriormente derrubada pela Justiça.
A delegada afirmou ainda que um dos casos mais recentes envolvendo a jovem ainda aguardava resultado de perícia e que, naquele momento, não havia elementos nos autos que permitissem vincular Ailton aos fatos relatados por Emiliane.
O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) confirmou que Emiliane apresentou um pedido de medida protetiva em março deste ano, mas a solicitação foi negada.
Segundo o tribunal, a decisão acompanhou manifestação do Ministério Público, que apontou não haver elementos suficientes para demonstrar uma situação de risco naquele momento.
Ainda conforme o TJ-GO, um novo pedido poderia ser apresentado caso surgissem fatos concretos que demonstrassem uma situação de perigo.
Emiliane foi obrigada a escrever uma carta
Durante o resgate, os policiais encontraram uma carta escrita em uma folha de caderno e assinada por Tamara, endereçada à família.
O documento mencionava bens da jovem, incluindo um carro e a escritura de uma casa registrada em seu nome. Em determinado trecho, havia o alerta: “Leia com atenção, não chame a polícia”.
Em outro trecho, a carta dizia:
“Mamãe, vai ver um advogado aí para levar os papéis do carro, casinha, todos no meu nome. O Ailton vai deixar um valor de 30-50 mil”.
A polícia trabalha com a hipótese de que a jovem tenha sido obrigada a escrever e assinar o documento.
Ao g1, o major Jorge Paiva, da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) de Águas Lindas de Goiás, afirmou que a análise inicial indicava que Tamara teria sido coagida a produzir o texto.
Segundo o major, a polícia acredita que a carta tenha sido escrita próximo ao momento do resgate. Ele também afirmou que Ailton estaria com o documento no bolso quando foi abordado.
O que a defesa de Ailton diz
A defesa ressalta que o inquérito policial ainda está em andamento e que, neste momento, é prematura qualquer manifestação conclusiva sobre o mérito. Nem tudo o que vem sendo divulgado corresponde, necessariamente, à realidade dos fatos.
Embora não se possa afastar a gravidade do ocorrido, a defesa acredita que, após a conclusão das investigações e a correta individualização das condutas, ficará demonstrado que os fatos atribuídos ao investigado não possuem a extensão que vem sendo divulgada.
A defesa acompanha todas as diligências e confia que a verdade será esclarecida no momento oportuno, com respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.
Emiliane teme que o ex-marido seja solto
Depois do resgate, Emiliane afirmou que teme ser morta caso Ailton deixe a prisão.
A declaração foi dada após o período em que permaneceu em cativeiro e diante dos relatos de episódios anteriores de violência que ela atribui ao ex-marido.
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