Homem que aplicou desinfetante em pacientes no DF alega que agiu por nervosismo

Homem afirmou, ainda, que teria cometido o crime para ‘aliviar o sofrimento dos pacientes’

Hospital Anchieta em Taguatinga - Distrito Federal

O técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa, preso suspeito de matar três pacientes envenenados com doses altas de um medicamento e desinfetante no Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal, relatou à Polícia Civil do DF que agiu por nervosismo e estresse nos plantões.

Em depoimento, Marcos disse que o ambiente tumultuado da unidade de saúde teria provocado nervosismo nele. Ele também afirmou que queria “abreviar o sofrimento dos pacientes”. Inicialmente, Marcos teria negado participação no crime.

Outras duas pessoas, Marcela Camilly Alves da Silva e Amanda Rodrigues de Sousa, também foram detidas suspeitas de terem envolvimento no crime.

Marcela relatou aos delegados que não sabia o que Marcos aplicava nos pacientes. Ela disse estar arrependida de não ter avisado à equipe hospitalar sobre o caso.

Já Amanda negou participação no esquema e afirmou que acreditava que Marcos aplicava ‘medicamentos normais’ nos pacientes.

A Itatiaia não localizou as defesas de Marcos, Marcela e Amanda. O espaço segue aberto.

O crime

Marcos Vinícius confessou ter injetado cerca de 13 aplicações de desinfetante retirado da pia do leito em uma das vítimas. Três vítimas morreram entre novembro e dezembro do ano passado.

De acordo com a investigação, além do desinfetante, o rapaz aplicou altas doses de um medicamento nos pacientes.

A polícia confirmou ainda que o homem trabalhava na área da saúde havia cerca de cinco anos. Os três suspeitos foram demitidos, e a investigação continua para apurar se há outras vítimas no Hospital Anchieta ou em outras unidades onde o técnico atuou. Todos estão presos temporariamente por 30 dias.

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Veja quem são as vítimas do envenenamento

As vítimas são: Marcos Raymundo Fernandes Moreira, Miranilde Pereira da Silva e João Clemente Pereira.

Os pacientes apresentaram quadros de gravidade diferentes:

  • João Clemente Pereira, de 63 anos
  • Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos
  • Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos

De acordo com a família de João Clemente, o idoso deu entrada no Hospital Anchieta no dia 4 de novembro com tonturas e precisou passar por um procedimento para drenagem de um coágulo na cabeça. Ele apresentou complicações respiratórias e foi encaminhado à UTI. No dia 17, o paciente sofreu uma piora no quadro, teve uma parada cardíaca e morreu.

Ainda segundo a Polícia Civil, o técnico de enfermagem de 24 anos também utilizou a senha de um médico para emitir uma receita falsa do medicamento. No mesmo dia, ele foi até a farmácia do hospital e aplicou o remédio nas três vítimas sem o conhecimento da equipe médica. O suspeito também teria realizado massagens cardíacas nos pacientes para tentar disfarçar a ação criminosa.

O que diz o Hospital Anchieta:

O Hospital Anchieta informou, em nota, que demitiu os três auxiliares após um comitê interno identificar “circunstâncias atípicas” nas mortes de pacientes internados na UTI.

Segundo o hospital, a investigação interna durou menos de 20 dias e resultou na identificação de evidências que foram integralmente repassadas à Polícia Civil. A instituição afirmou ainda que é vítima da ação dos ex-funcionários, que se solidariza com os familiares das vítimas e que colabora de forma irrestrita com as autoridades.

O que diz o Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal:

"(Coren-DF) informa que tomou conhecimento dos fatos noticiados pela imprensa envolvendo mortes suspeitas de pacientes em uma unidade hospitalar do Distrito Federal. Diante da gravidade das informações divulgadas, o Coren-DF esclarece que está acompanhando o caso e adotando as providências cabíveis no âmbito de sua competência legal.

Ressalta-se que o caso também está sob investigação das autoridades competentes e tramita na esfera judicial. Dessa forma, neste momento, não é possivel emitir juízo de valor ou qualquer conclusão definitiva, devendo ser respeitados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa dos envolvidos.

O Conselho segue compromissado com a segurança do paciente, a ética profissional e a defesa de uma enfermagem qualificada, responsável e comprometida com a vida”.

*Com CNN

Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o ‘Tá Sabendo’ no Instagram da Itatiaia.

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