O Instituto Butantan iniciou, a partir desta terça-feira (13), o recrutamento de 767 voluntários com idades entre 60 e 79 anos para a nova fase de ensaios clínicos da vacina contra a dengue, a
Além dos idosos, o estudo contará com a participação de 230 adultos de 40 a 59 anos, que atuarão como grupo controle. Ao todo, 997 voluntários, homens e mulheres, poderão participar, desde que estejam saudáveis ou com comorbidades controladas.
Entre os idosos, haverá sorteio para a definição de quem receberá a vacina (690 participantes) e quem receberá placebo (77). Já os adultos do grupo controle receberão exclusivamente o imunizante, sem distribuição de placebo.
Segundo o Instituto Butantan, o objetivo desta etapa é avaliar a segurança da vacina na população idosa e comparar a resposta imunológica desse grupo com a de adultos já acompanhados em fases anteriores do desenvolvimento da Butantan-DV. A análise será feita por meio de testes laboratoriais que medem a produção de anticorpos.
O recrutamento começa no Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre. Os interessados devem preencher um questionário para se candidatar.
Na sequência, as inscrições serão abertas nos demais centros participantes: Hospital Moinhos de Vento e Núcleo de Pesquisa Clínica do Rio Grande do Sul (PUCRS), também na capital gaúcha; Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HEUFPEL/Ebserh), em Pelotas; e o Serviço de Infectologia e Controle de Infecção Hospitalar de Curitiba.
De acordo com a diretora médica do Instituto Butantan, Fernanda Boulos, a inclusão de pessoas acima dos 60 anos é fundamental, já que essa faixa etária está entre as mais afetadas pelas complicações da dengue. “O objetivo primordial deste estudo é garantir a segurança para que pessoas entre 60 e 79 anos possam receber a Butantan-DV”, afirmou.
O gestor médico de desenvolvimento clínico do Butantan, Érique Miranda, explicou que a maioria dos participantes precisará comparecer ao centro de pesquisa em apenas quatro ocasiões. “A primeira visita já é para tomar a vacina, com retornos em 22 dias, 42 dias e um ano após a vacinação para coleta de sangue”, disse. Inicialmente, 56 idosos farão visitas adicionais para exames específicos de viremia.
Segundo Miranda, o Rio Grande do Sul e o Paraná foram escolhidos por apresentarem baixa prevalência de dengue, o que permite maior controle dos resultados. Regiões com alta exposição prévia ao vírus, como Recife, Salvador, Rio de Janeiro e Natal, chegaram a ser avaliadas, mas poderiam interferir nos dados devido à presença de anticorpos nos voluntários.
A vacina
Parte dessas doses começará a ser aplicada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de 17 de janeiro, nos municípios de Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e Botucatu (SP), em pessoas de 15 a 59 anos. A estratégia busca avaliar o impacto da vacinação em massa, com a meta de alcançar ao menos 50% da população dessas cidades.
Durante a assinatura do contrato de compra da vacina, em dezembro do ano passado, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que estudos indicam que a imunização de 40% a 50% da população pode ter alto impacto no controle da dengue e de seus surtos epidêmicos.
Os ensaios clínicos da Butantan-DV foram concluídos em junho de 2024, após cinco anos de acompanhamento do último participante. Os dados indicaram eficácia geral de 79,6% na prevenção da dengue sintomática, além de 89% de proteção contra casos graves e com sinais de alarme. Na faixa etária de 12 a 59 anos, a eficácia foi de 74,7% para casos gerais e de 91,6% para formas graves da doença.
A dengue é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Entre os principais sintomas estão febre alta, dor atrás dos olhos, dores musculares e articulares, manchas vermelhas na pele, coceira e náuseas. A principal forma de prevenção continua sendo o combate ao mosquito, por meio da eliminação de água parada em recipientes como pneus, pratos de plantas e outros objetos que possam acumular água.
* Informações com Agência Brasil