Vorcaro lucrou mais de R$290 milhões em 24h com empresa associada ao PCC

Fundos de Investimento adquiridos pelo bancário foram revendidos à gestora investigada por possível lavagem de dinheiro para facção paulista

Banqueiro vendeu fundos para empresa investigada por associação ao Primeiro Comando da Capital

Dentro de 24 horas, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde 4 de março por associação criminosa, comprou cotas de um fundo de investimento por R$ 2,5 milhões e revendeu por R$ 294,5 milhões a um grupo ligado à empresa Reag, investigada por suposta lavagem de dinheiro para empresas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A diferença representa uma valorização de cerca de 11.470% em um mesmo dia de operação, ou seja, Vorcaro teria faturado 116 vezes o valor investido em uma única cota.

A operação ocorreu no dia 27 de dezembro de 2023, com a aquisição de cotas do ”Hans 2 Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia” por Daniel Vorcaro, que logo foram vendidas para o “Itabuna Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia”, gerido pela Reag.

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Um episódio semelhante havia ocorrido meses antes. Em 31 de maio de 2023, Vorcaro comprou cotas do mesmo fundo “Hans 2” por R$ 10 milhões. Uma semana depois, em 7 de junho, revendeu por R$ 160 milhões ao “Stralo Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado I”, também controlado pela Reag na ocasião

A empresa foi liquidada pelo Banco Central em janeiro, poucas semanas após a liquidação do Banco Master, que era administrado por Daniel Vorcaro. As investigações já identificaram diversos vínculos financeiros entre o Banco Master e a Reag.

Em comunicado divulgado ao mercado em setembro de 2025, após a Operação Carbono Oculto, a Reag informou que um fundo sob sua gestão negociou CDBs (Certificados de Depósito Bancário) emitidos pelo Banco Master.

Em fevereiro, o fundador e ex-executivo da Reag, João Carlos Mansur, foi alvo de uma nova fase da operação Compliance Zero, que apura a suposta concessão de créditos fraudulentos ao Banco Master.

Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao executivo, mas ele estava fora do país. De volta ao Brasil, Mansur afirmou nesta semana, em depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado, que o Master era apenas um cliente da gestora e negou que a empresa tenha sido usada para operações irregulares.

(Sob supervisão de Rayllan Oliveira)

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Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.

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