PCC e CV somam 70 mil criminosos distribuídos em cerca de 30 países, apontam estudos
PCC tem cerca de 40 mil integrantes; Comando Vermelho reúne outros 30 mil, apontam autoridades e relatório

Classificados como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), juntos, têm cerca de 70 mil membros distribuídos pelo Brasil e por outros países. A Itatiaia contabilizou os dados divulgados pelo Ministério Público de São Paulo e informações do relatório da organização InSight Crime.
Os grupos criminosos surgiram de forma semelhante: eles se definiam como organizações de autoproteção dentro do sistema prisional. Em São Paulo, o PCC surgiu em 1993 após uma partida de futebol, como uma espécie de resposta ao massacre do Carandiru, ocorrido um ano antes, episódio em que a polícia matou 111 detentos durante uma rebelião.
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Investigações do Ministério Público apontam que, em 20 anos, o PCC saltou de 5 mil membros, atuando exclusivamente em São Paulo, para 40 mil integrantes com atuação identificada em 28 países. A Justiça aponta que o líder máximo do PCC é Marcos Willians Herbas Camacho, o "Marcola", preso há quase 30 anos.
O MP estima que o PCC movimente cerca de R$ 10 bilhões por ano. Considerado um dos principais inimigos da facção, o promotor do Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya, disse à CNN que a organização criminosa possui estrutura semelhante à de uma máfia.
"O fato mais grave é que o PCC tomou uma proporção tão grande e eficiente que já tem seus setores muito bem estruturados nas ruas, com quatro ou cinco membros capazes de assumir a liderança dessas áreas. Dessa forma, quando prendemos um integrante, outro o substitui. Essa organização, que tem feição de máfia, está pronta para funcionar sem a ordem direta dos seus líderes", afirmou.
Mais antigo, o Comando Vermelho surgiu no Rio de Janeiro na década de 1970 a partir da convivência entre criminosos comuns e presos políticos que eram contrários ao regime militar. Considerado menor que o PCC, o CV tem em torno de 30 mil membros, segundo relatório da organização InSight Crime. A facção expandiu sua atuação na América do Sul por meio de parcerias com grupos guerrilheiros, que abriram caminho para o tráfico de cocaína e armas em direção ao Brasil.
Um relatório recente da Polícia Federal apontou a atuação de membros do CV no Paraguai, Bolívia, Peru e Colômbia. No Rio de Janeiro e em outros estados brasileiros, segundo as forças de segurança, a facção se especializou na ocupação de territórios e na extorsão de moradores por meio da cobrança por serviços como transporte clandestino, internet e gás.
Com experiência no combate ao CV em favelas do Rio de Janeiro quando era capitão do Bope, Rodrigo Pimentel confirmou à CNN esse cenário de domínio territorial exercido pela facção. "O CV não é só maconha e cocaína. É R$ 50 a mais no botijão de gás, o sinal de TV ou a internet que eles roubaram das empresas legalizadas. Eles queimaram empresas. Recentemente, um jovem em Fortaleza foi assassinado porque vendia churrasquinho e não quis pagar uma taxa de R$ 1 mil por mês. O CV acabou com a atividade econômica local e com o microempresário", afirmou.
Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.


