Machosfera: ONU e Unicef lançam guia para alertar famílias e proteger jovens
Publicação orienta pais e responsáveis a identificar sinais de influência de comunidades misóginas na internet, entender como esses grupos atuam e fortalecer diálogo com crianças e adolescentes

A ONU Mulheres e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançaram o guia "No Mesmo Time: Guia de Conversa para Pais e Responsáveis", criado para ajudar famílias a reconhecer e enfrentar a influência da chamada "machosfera" sobre crianças e adolescentes.
O material reúne explicações sobre o funcionamento dessas comunidades virtuais, os riscos da radicalização de meninos e jovens e oferece orientações práticas para promover conversas em casa sobre igualdade de gênero, respeito e pensamento crítico diante dos conteúdos consumidos nas redes sociais.
Segundo a publicação, a machosfera tem alcançado adolescentes por meio de algoritmos das plataformas digitais, muitas vezes a partir de conteúdos aparentemente inofensivos sobre motivação, autoestima ou desenvolvimento pessoal. O guia apresenta os principais termos utilizados por esses grupos, indica sinais de alerta para mudanças de comportamento e linguagem, sugere perguntas adaptadas para diferentes faixas etárias e orienta como apoiar meninas expostas a discursos misóginos e meninos que estejam sendo influenciados por esse tipo de conteúdo. O objetivo é incentivar o diálogo antes que a radicalização avance e fortalecer a educação para relações mais igualitárias.
O que é a machosfera?
A machosfera é um conjunto de comunidades e grupos online que compartilham discursos de masculinidade extrema e frequentemente disseminam conteúdos misóginos, antifeministas e contrários à igualdade de gênero. Embora reúna diferentes perfis e movimentos, essas comunidades costumam defender que os homens perderam espaço para as mulheres na sociedade e difundem a ideia de que o feminismo seria responsável por essa suposta perda de direitos.
De acordo com a ONU Mulheres, esses ambientes promovem uma visão restrita do que significa "ser homem", associando o valor masculino ao poder, ao controle emocional, à riqueza, à aparência física e, principalmente, ao domínio sobre as mulheres.
A organização alerta que esse tipo de conteúdo pode favorecer a normalização do discurso de ódio, da violência de gênero e da discriminação, especialmente entre adolescentes que passam longos períodos conectados às redes sociais.
Misoginia no ambiente digital
A preocupação da ONU Mulheres e do Unicef ocorre em um contexto de aumento da circulação de conteúdos misóginos nas plataformas digitais. Um levantamento da Revista AzMina em parceria com o Núcleo Jornalismo, citado pelas Nações Unidas, identificou que adolescentes são expostos à misoginia de forma gradual, por meio de vídeos sobre desenvolvimento pessoal, relacionamentos e autoajuda, antes de serem direcionados para conteúdos mais radicais pelos algoritmos das plataformas.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública também mostram que a violência contra mulheres permanece em níveis elevados no país. O Brasil registrou milhares de casos de feminicídio, estupro, violência doméstica e perseguição contra mulheres nos últimos anos, evidenciando que a desigualdade de gênero continua sendo um problema estrutural.
Para a ONU Mulheres, enfrentar a misoginia desde a adolescência, inclusive no ambiente digital, é uma estratégia importante para prevenir diferentes formas de violência de gênero e promover relações mais saudáveis e respeitosas entre meninos e meninas.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



