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Os novos 60+: geração que trabalha, empreende, consome e redefine o envelhecimento no Brasil

Com mais saúde, maior expectativa de vida e participação ativa no mercado de trabalho, brasileiros com mais de 60 anos mudam a forma de enxergar a terceira idade

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O país já soma 36 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a cerca de 17% da população brasileira • Reprodução | Youtube Itatiaia

A imagem da terceira idade restrita ao descanso e à aposentadoria ficou para trás. No Brasil de 2026, os chamados "60+" estão cada vez mais ativos: trabalham, empreendem, estudam, praticam atividades físicas, viajam, consomem e seguem construindo novos projetos de vida.

O país já soma 36 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a cerca de 17% da população brasileira. A expectativa de vida também cresceu significativamente. Hoje, um brasileiro vive, em média, 76,6 anos. Em 1940, essa média era de apenas 45 anos. A série especial da Itatiaia traz um panorama deste novo cenário do envelhecimento.

Para muitos, envelhecer bem significa investir na saúde desde cedo. É o caso do aposentado Robson Martins da Costa, de 64 anos. Há quase duas décadas ele adotou a atividade física como estilo de vida e hoje frequenta a academia diariamente.

"Comecei treinando em casa. Depois fui para a academia e nunca mais parei", conta. Inspirado pela longevidade da mãe, que está prestes a completar 102 anos, Robson acredita que manter o corpo em movimento é um dos segredos para viver mais e melhor.

Saúde hoje é investimento no futuro

Segundo o médico geriatra Pedro Lopes, o envelhecimento da população brasileira vem acompanhado de uma melhora importante na qualidade de vida.

"Hoje encontramos muito mais idosos robustos, resultado de uma trajetória marcada por atividade física, alimentação adequada, vacinação e cuidados preventivos", explica.

O especialista ressalta que investir em hábitos saudáveis desde a juventude reduz custos futuros com medicamentos, cuidadores e tratamentos de saúde.

"A saúde física também está diretamente ligada à saúde financeira."

Trabalho continua fazendo parte da rotina

Mais tempo de vida também significa mais tempo de participação no mercado de trabalho. A diretora escolar Vera da Costa Val, de 61 anos, continua trabalhando por prazer e também por necessidade financeira.

"Gosto de acordar e vir trabalhar. Estar com as pessoas e continuar contribuindo faz bem para mim."

O aposentado Arnaldo Moreira, de 76 anos, iniciou uma nova carreira há sete anos em uma rede de supermercados.

"Enquanto Deus me der saúde, vou continuar trabalhando. Estar em movimento faz muito bem."

Essa realidade também é percebida pelas empresas. Grandes redes varejistas de Belo Horizonte ampliaram programas voltados à contratação de profissionais acima dos 50 anos. Na Drogaria Araújo, cerca de 10% dos colaboradores pertencem ao público 50+, e a meta da empresa é ampliar ainda mais essa participação. Segundo a gerente de Atração e Seleção, Lúcia Regina Toca Fundo Silva, esses profissionais apresentam elevado comprometimento.

"São pessoas engajadas, responsáveis e que permanecem mais tempo na empresa."

Experiência virou diferencial

Para o presidente da CDL BH e do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva, a experiência acumulada pelos profissionais mais velhos tornou-se um diferencial competitivo.

"Eles possuem uma capacidade diferenciada de atendimento e relacionamento. Agora, as empresas também precisam adaptar jornadas e ambientes para essa nova realidade."

A convivência entre diferentes gerações também gera aprendizado. A jovem Caroline Vitória Vieira, de 17 anos, trabalha ao lado de colegas mais experientes.

"Eles ensinam muito para a gente e também aprendem conosco. É uma troca constante."

Empreendedorismo cresce entre os 60+

Nem todos permanecem no mercado como empregados. Muitos escolhem empreender. É o caso da chef Vera Melo, de 63 anos, que transformou a paixão pela gastronomia em profissão.

"Empreender para mim é sensacional."

Segundo o economista Paulo Machado, cerca de 25% dos idosos mineiros continuam economicamente ativos, seja por necessidade financeira ou realização pessoal. A cabeleireira Afonsina Faria de Sales, de 60 anos, administra seu salão há quase quatro décadas e acredita que o segredo está na organização financeira.

"Você precisa guardar uma parte do que ganha. Não sabemos como será o amanhã."

Planejamento financeiro ganha importância

A longevidade também exige maior preparo financeiro. O gerente de análise e planejamento financeiro do Banco Mercantil, Sérgio Batista, destaca que planejamento significa conhecer os próprios gastos.

"Muita gente acha que planejamento financeiro é complicado. Na verdade, é simplesmente entender para onde vai o seu dinheiro."

Nem tudo são boas notícias

Apesar do envelhecimento mais ativo, muitos brasileiros ainda enfrentam dificuldades econômicas. Cerca de 70% dos quase 30 milhões de aposentados e pensionistas do INSS recebem apenas um salário mínimo. A aposentada Maria Deusa de Lima, de 76 anos, afirma que depende da ajuda das filhas para complementar a renda.

"Sem elas, não teria como viver."

Dados recentes também mostram que cinco em cada dez aposentados já recorreram ao crédito para pagar despesas, reflexo do aumento do custo de vida e da responsabilidade financeira que muitos ainda mantêm com filhos e netos.

Combater o etarismo é desafio

Além das questões financeiras, especialistas apontam outro obstáculo: o preconceito contra pessoas mais velhas. A psicóloga e doutora em Neurociências Patrícia Peles afirma que o etarismo continua presente no mercado de trabalho.

"Existe a expectativa equivocada de que uma pessoa mais velha não conseguirá acompanhar as mudanças ou se adaptar às novas tecnologias."

Para especialistas, combater esse preconceito e criar políticas públicas voltadas ao envelhecimento ativo será cada vez mais importante em um país que envelhece rapidamente.

Uma nova forma de envelhecer

As histórias de quem continua trabalhando, empreendendo, estudando e cuidando da saúde mostram que a terceira idade já não pode mais ser definida apenas pela aposentadoria.
Os novos 60+ representam uma geração que desafia estereótipos, amplia sua participação na economia e demonstra que envelhecer pode significar continuar produzindo, aprendendo e realizando sonhos.

Confira a reportagem completa:

 

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

 

 

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