Começa construção do primeiro submarino nuclear brasileiro; saiba detalhes
Atualmente, apenas seis países possuem submarinos nucleares: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, China e Índia

O Brasil deu mais um passo para desenvolver seu primeiro submarino com propulsão nuclear. A Marinha iniciou a fabricação de um componente do casco resistente da embarcação, após o primeiro corte de uma chapa de aço.
O feito foi realizado durante um evento em Cherbourg, na França, no fim de outubro. O projeto integra o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) e tem previsão de entrega para 2035.
A etapa marca o avanço da construção do Submarino Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA), desenvolvido em uma parceria entre Brasil e França, que prevê transferência de tecnologia e capacitação técnica e industrial. O corte da primeira chapa representa o início da fabricação de um componente dessa estrutura, e não ainda a conclusão do casco ou de toda a embarcação.
O casco resistente é uma das estruturas fundamentais de um submarino. Ele precisa suportar a pressão exercida pela água durante a navegação em grandes profundidades, garantindo a integridade da embarcação quando está submersa.
O trabalho é conduzido no âmbito do programa estratégico da Marinha para ampliar a capacidade de defesa do país e proteger seus interesses marítimos. A cerimônia realizada na França reuniu representantes da Marinha brasileira e marcou uma nova fase das atividades industriais e de engenharia necessárias para tirar o projeto do papel.
Parceria com a França e tecnologia nacional
O desenvolvimento do submarino faz parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), criado para fortalecer a indústria de defesa brasileira e ampliar a autonomia tecnológica do país. A iniciativa foi estabelecida a partir da parceria estratégica entre Brasil e França, que envolve cooperação técnica e transferência de conhecimentos na área de construção naval.
Apesar da colaboração francesa, o desenvolvimento da tecnologia nuclear utilizada na propulsão ficará sob responsabilidade do Brasil, por meio do Programa Nuclear da Marinha. A cooperação internacional contempla principalmente conhecimentos relacionados à engenharia, ao projeto e à construção da embarcação.
O projeto do submarino foi anunciado em 2023, no Rio de Janeiro. A previsão atual da Marinha é concluir a entrega em 2035. Atualmente, apenas seis países possuem submarinos com propulsão nuclear: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, China e Índia.
Submarino não terá armas nucleares
Apesar de utilizar propulsão nuclear, o futuro submarino brasileiro não será equipado com armamentos nucleares. A denominação SNCA significa Submarino Nuclear Convencionalmente Armado: a tecnologia nuclear será utilizada para movimentar a embarcação, enquanto seus armamentos serão convencionais.
A principal vantagem desse sistema é a capacidade de permanecer submerso por períodos muito mais longos do que os submarinos convencionais, que dependem de sistemas de propulsão diesel-elétricos e precisam retornar à superfície ou utilizar dispositivos específicos para renovar o ar e recarregar baterias.
Com maior autonomia de navegação submersa, o equipamento poderá ampliar o alcance das operações militares e a capacidade de monitoramento das águas brasileiras.
Laboratório vai testar tecnologia antes da instalação
Outra etapa importante do programa é a construção do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (Labgene). A estrutura será instalada em terra e servirá para testar os sistemas de propulsão nuclear que deverão equipar o futuro submarino.
O laboratório permitirá simular diferentes condições de funcionamento e ensaiar cenários de operação antes que a tecnologia seja integrada à embarcação. Dessa forma, os sistemas poderão passar por avaliações em ambiente controlado.
Segundo a Marinha, o submarino também terá papel estratégico na proteção da chamada Amazônia Azul, denominação dada à extensa área marítima sob jurisdição brasileira, que concentra recursos naturais, atividades econômicas e importantes rotas de navegação.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
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