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'Camisa 10 da Solidariedade': ONG usa o clima da Copa do Mundo para combater a fome

Campanha da Ação da Cidadania busca arrecadar a partir da venda de camisas estampadas com palavras como: solidariedade, cidadania, diversidade e democracia

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Campanha busca associar a mobilização em torno do futebol a causas sociais
Campanha busca associar a mobilização em torno do futebol a causas sociais • Reprodução / Lovi Fúria

A energia da Copa do Mundo 2026 ultrapassa o mundo dos esportes e se transforma em uma campanha destinada a projetos de combate à fome e às ações humanitárias. Esse é o intuito da Ação da Cidadania, com a ação "Como o Brasil Vence?".

A iniciativa busca arrecadar a partir de venda de camisas — nas tradicionais cores brasileiras, como verde, amarelo, azul, e também no vermelho — estampadas com palavras como: solidariedade, cidadania, diversidade e democracia.

Como a própria Organização Não Governamental (ONG), que atua no Brasil há mais de 30 anos, divulgou, a campanha busca associar a mobilização em torno do futebol a causas sociais.

A venda das camisas acontece no próprio site da Ação da Cidadania, com o preço de R$99.

Confira os modelos:

"Camisa 10 da Solidariedade" • Reprodução / Ação da Cidadania
"Camisa 10 da Solidariedade" • Reprodução / Ação da Cidadania
Campanha busca associar a mobilização em torno do futebol a causas sociais • Reprodução / Lovi Fúria
Campanha busca associar a mobilização em torno do futebol a causas sociais • Reprodução / Lovi Fúria

Ação da Cidadania

"A democracia é incompatível com a miséria" — essa foi a premissa de Herbert de Souza, o Betinho, sociólogo, ativista e responsável pela criação da Ação da Cidadania, uma das organizações não governamentais (ONGs) mais importantes e tradicionais do Brasil.

A Ação da Cidadania nasceu como um imenso movimento social em 1993, em um momento de crise social e econômica no Brasil, após o processo de redemocratização e o impeachment de Fernando Collor. Na época, dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontavam que o Brasil tinha cerca de 32 milhões de pessoas vivendo na indigência.

Betinho defendia que a fome não era um problema abstrato ou apenas do governo, mas uma urgência de toda a sociedade. Assim, nasceu o lema histórico que mobilizou o país: "quem tem fome, tem pressa."

Colocando em prática, o movimento da Ação da Cidadania foi um dos principais pilares que ajudaram a colocar a segurança alimentar no centro do debate político brasileiro nas décadas de 1990 e 2000, pavimentando o caminho para a criação de programas sociais governamentais que, em 2014, tiraram temporariamente o Brasil do Mapa da Fome da ONU.

Hoje, a ONG continua ativa, com sede na Zona Portuária do Rio de Janeiro e comitês espalhados por todo o país, atuando tanto no socorro imediato contra a fome quanto na cobrança por transformações estruturais na sociedade.

A grande inovação da Ação da Cidadania foi a sua estrutura descentralizada. Em vez de uma instituição rígida, ela funcionava (e ainda funciona) por meio de uma imensa rede de comitês locais formados de forma voluntária por cidadãos nos próprios bairros, empresas, igrejas, escolas e sindicatos. Esses comitês arrecadavam e distribuíam os alimentos diretamente nas comunidades periféricas e informais.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.