Um estudo inédito sobre a ingestão de resíduos sólidos por tartarugas marinhas no litoral centro-sul do Rio de Janeiro revelou um cenário alarmante. De acordo com a pesquisa, publicada na revista científica Ocean and Coastal Research, quase 70% das tartarugas-verdes encontradas encalhadas entre maio de 2019 e março de 2021 haviam ingerido plástico.
A pesquisa, realizada por cientistas da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e divulgada pela Agência Bori, analisou o trato gastrointestinal de 66 tartarugas. Os resultados foram chocantes: mais de 1.600 itens foram encontrados, sendo a maioria (850) de plástico flexível, como sacolas plásticas.
Leia mais:
Incêndios em nove áreas de diferentes parques mobilizam bombeiros de Minas Com 329 focos, Minas passa a ser o estado com mais incêndios ativos no Brasil
A pesquisadora Beatriz Guimarães Gomes, da Uerj, explica que a semelhança entre os detritos plásticos e a alimentação natural das tartarugas contribui para a ingestão acidental. “A cor âmbar ou marrom e o tamanho entre 0,5 mm e 2,5 cm dos resíduos encontrados corroboram essa hipótese”, afirma.
Impacto ambiental e soluções
A ingestão de plástico pode causar obstruções intestinais, infecções e até a morte dos animais. Além disso, a contaminação por microplásticos presentes nos oceanos afeta toda a cadeia alimentar, incluindo os seres humanos.
Diante desse cenário, a pesquisadora destaca a importância da educação ambiental para mudar hábitos e reduzir o consumo de plásticos descartáveis. “A transição para a economia circular, com foco na redução, reutilização e reciclagem, é fundamental para combater a poluição plástica nos oceanos”, enfatiza Gomes.
A pesquisa reforça a necessidade de políticas públicas mais rigorosas para a gestão de resíduos e a criação de alternativas sustentáveis aos plásticos. A Década do Oceano, declarada pela ONU, visa mobilizar esforços globais para a conservação e uso sustentável dos oceanos.