Ouvindo...

Reconhecimento irregular pode ter condenado jovem de 25 anos por engano na Grande São Paulo

Em um dos reconhecimentos, o acusado pardo teria sido posto ao lado de dois policiais brancos

Yuri Ferreira da Silva foi denunciado em 2016 pelo MP-SP

A defesa de Yuri Ferreira da Silva, de 35 anos, acusado de ter participado de sequestro-relâmpago seguido por roubo, tenta reverter a sentença de até 15 anos de prisão. Isso porque, segundo a defesa, o reconhecimento foi feito de forma irregular e testemunhas não foram ouvidas. As informações foram reveladas pelo G1 nesta segunda-feira (24)

Em 18 de julho de 2016, um homem foi abordado por quatro criminosos, que roubaram seu carro e o mantiveram no veículo, obrigando-o a realizar saques e transferências em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.

No dia seguinte, os policiais faziam uma ronda quando encontraram o carro roubado no lava-jato onde Yuri trabalhava. Conforme o registro policial, os militares verificaram a placa do carro e descobriram que estava alterada. Yuri, que estava limpava o carro, foi abordado.

Apesar de a vítima ter relatado que seriam quatro participantes, Yuri foi o único indiciado. A arma de fogo usada no crime não foi encontrada.

Reconhecimento

As provas apresentadas na Justiça para a condenação de Yuri foram: carro encontrado no lava-jato e os reconhecimentos.

Segundo a defesa, foram três reconhecimentos. No primeiro, não teria ocorrido a descrição do suspeito e policiais teriam apontado Yuri à vítima como sendo um deles.

No segundo, Yuri teria sido colocado ao lado de outros dois homens sem qualquer semelhança com ele para ser reconhecido e, no terceiro, acusado teria sido posto para ser reconhecido ao lado de dois policiais brancos.

Conforme a defesa, não foram ouvidas testemunhas.

Condenação

Yuri já foi condenado pela Justiça de São Paulo em primeira instância a 24 anos de reclusão. A pena incluía o crime de roubo, sequestro e a adulteração da placa do veículo. Mas, a defesa recorreu e conseguiu absolver o Yuri da adulteração da placa do carro e a pena foi reduzida para 15 anos.

A absolvição foi possível porque não foi feita perícia na placa. Contudo, o MPSP entrou com um recurso para reverter a absolvição.

A defesa, por sua vez, também entrou com recurso especial no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O que diz as autoridades

O Tribunal de Justiça de São Paulo (SSP) informou ao g1 que “o processo tramita em segredo de Justiça e, portanto, as informações dos autos ficam restritas às partes e seus advogados”.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que “o caso citado pela reportagem foi investigado por meio de inquérito policial instaurado pelo 1º Distrito Policial de Itapecerica da Serra, sendo relatado ao Poder Judiciário em agosto de 2016 com o pedido de prisão preventiva do suspeito. Na ocasião, o homem passou por reconhecimento pessoal e foi identificado pela vítima. Demais questionamentos devem ser feitos à Justiça”.

A Promotoria informou ao g1 que aguarda a decisão judicial e prefere não comentar o caso no momento.

O caso é acompanhado por advogadas que fazem parte do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD)

A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.