A ONU denuncia a grande diferença no tratamento da polícia do Brasil com os cidadãos negros e brancos. Em relatório, consta que o número de afrodescendentes mortos por ações policiais aumentou enquanto o de brancos diminuiu. A avaliação englobou os 40 lugares com maiores violações do mundo.
O Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Turk, apontou que “a violência que é tão desproporcionalmente infligida às pessoas de descendência africana pelos agentes da lei é um exemplo do profundo dano estrutural enraizado na discriminação racial”.
Ainda no discurso, Volker ressaltou o uso excessivo da força policial por influência e orientação de caráter racial. Além do Brasil, Austrália, Irlanda e Reino Unido foram usados como exemplo de disparidade no tratamento dos agentes de segurança pública com base em questões de cor de pele.
Queda no número de homicídios
O Alto Comissário ponderou a diminuição no número de pessoas mortas após abordagens policiais no Brasil em 2021. Até esse ano, o número de homicídios diminuiu, porém a disparidade no tratamento aumentou. Brancos tiveram uma queda de 31% na quantidade de cidadãos mortos depois de ações da Polícia; os negros enfrentaram um aumento de 6% nessa mesma situação.
Vale lembrar que, em 2019, a comitiva brasileira se mostrou insatisfeita com a crítica feita pela ONU quanto à violência policial em todo o mundo. Na oportunidade, Jair Bolsonaro atacou a própria Organização e a chefia liderada por Michelle Barcelet, ex-presidente do Chile.