Toyota vai imitar Volkswagen e tirar modelos de linha para aumentar lucro
Fabricante japonesa avalia enxugar portfólio global para reduzir custos e melhorar lucratividade

Depois do Grupo Volkswagen, a Toyota estuda uma ampla reorganização de sua linha global de veículos com o objetivo de reduzir custos de desenvolvimento e aumentar a rentabilidade. A estratégia faz parte da nova gestão liderada por Kenta Kon, presidente da empresa desde abril deste ano, que considera excessiva a quantidade de modelos, versões e configurações oferecidas pela empresa em diferentes mercados.
Segundo o executivo, o aumento contínuo de variantes e especificações tem elevado os custos de engenharia e produção, além de ampliar a complexidade dos processos internos. A avaliação da companhia é que alguns produtos e versões deixaram de agregar valor suficiente para justificar os investimentos necessários em desenvolvimento e fabricação.

"Se você for a uma divisão de desenvolvimento, verá problemas como o número crescente de especificações e variantes diferentes sendo criadas, o que, por sua vez, aumenta os custos. Se houver áreas nessas atividades que não estejam realmente agregando valor, ou onde o trabalho não esteja sendo feito de forma eficiente, precisamos analisá-las mais de perto”, pontuou Kon.
A Toyota pretende revisar o seu portfólio global, eliminando sobreposições e reduzindo a quantidade de versões disponíveis em determinados mercados. A iniciativa faz parte de um plano voltado ao chamado “crescimento sustentável”, conceito que vem sendo adotado pela fabricante japonesa em suas apresentações a acionistas.

Apesar de continuar como a maior fabricante de automóveis do mundo em volume de vendas, a empresa enfrenta uma queda nos lucros operacionais nos últimos anos. A projeção para o próximo exercício fiscal aponta uma redução significativa nos ganhos, o que reforçou a necessidade de aumentar a eficiência e reduzir despesas.
A estratégia não significa uma mudança radical na política de eletrificação da marca. A Toyota continuará apostando em diferentes tecnologias de propulsão, incluindo motores a combustão, híbridos convencionais, híbridos plug-in e até modelos a diesel em alguns mercados. A empresa considera que oferecer múltiplas opções ainda é importante para atender às necessidades regionais e às diferentes etapas de transição energética ao redor do mundo.
Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.



