Carro parado na garagem também pode dar prejuízo; especialista explica cuidados necessários
Bateria, pneus, combustível, óleo e mangueiras podem apresentar problemas quando o veículo fica muito tempo sem uso

Muita gente acredita que um carro parado na garagem não precisa de manutenção. Mas deixar o veículo sem funcionar por longos períodos pode provocar problemas e gerar gastos para o proprietário. O motorista Luiz Otávio já enfrentou esse tipo de situação. Ele tem dois carros e conta que o veículo mais antigo costuma apresentar dificuldades para ligar quando permanece alguns dias sem uso. “Se deixar três ou quatro dias, já não liga mais. Aí tem que dar um choque na bateria.”
Já o carreteiro Anderson Calisto passa boa parte do tempo na estrada e, para evitar problemas com o carro que fica em casa, pede que familiares liguem o veículo periodicamente. “Eu deixo o pessoal em casa ligar de dois em dois dias.”
O que acontece com um carro parado?
Quando o veículo permanece muito tempo sem ser utilizado, diversos componentes podem ser afetados. A bateria pode descarregar, os pneus podem perder pressão e o combustível pode sofrer alterações ao longo do tempo.
O professor do CEFET-MG e doutor em Engenharia Mecânica Fernando Antônio Rodrigues explica que o tempo de parada precisa ser considerado na manutenção, independentemente da idade do automóvel. “Se ele ficar muito tempo parado, ele requer uma manutenção e essa manutenção é muito importante.”
Segundo o especialista, o combustível merece atenção especial. Para períodos mais longos de inatividade, ele recomenda a substituição do combustível e do óleo do motor. “Após seis meses, eu trocaria todo o combustível do tanque. Combustível, até antes, dois, três meses parado, eu trocaria todo o combustível do tanque e, a partir de cinco, seis meses, todo o óleo do motor.”

Em veículos que ficam parados por um ou mais anos, também é necessário verificar as mangueiras dos sistemas de combustível e de arrefecimento.
A deterioração dessas peças pode provocar vazamentos e, em casos mais graves, problemas no funcionamento do motor e riscos relacionados ao sistema de combustível.
Carros elétricos e híbridos também exigem cuidados
A atenção não deve ficar restrita aos veículos convencionais. Carros elétricos e híbridos também precisam de cuidados quando permanecem muito tempo parados.
A recomendação dos fabricantes costuma ser evitar deixar a bateria por longos períodos completamente carregada ou totalmente descarregada.
Também é importante retirar carregadores, câmeras e outros equipamentos eletrônicos conectados ao veículo. Mesmo com o carro desligado, esses dispositivos podem continuar consumindo energia e contribuir para a descarga da bateria.
Baixa quilometragem não significa carro bem conservado
O especialista também alerta para um erro comum na hora de avaliar um veículo usado: considerar apenas a quilometragem. Um carro que rodou pouco pode ter passado longos períodos parado e, mesmo assim, apresentar problemas relacionados ao tempo de inatividade.
Combustível e óleo sofrem deterioração e, quando utilizados nessas condições, podem provocar problemas nos eletroinjetores, formação de borra e alterações no sistema de injeção. “O combustível e o óleo têm uma validade. Então, uma vez deteriorados, eles precisam ser trocados.”
Vale a pena manter um carro que quase não é usado?
Para quem pretende deixar o veículo parado por um período muito longo, Fernando Rodrigues recomenda avaliar se realmente vale a pena mantê-lo. “Se o carro for ficar parado muito tempo, eu indicaria vender o carro, investir o dinheiro. Senão, vai perder na desvalorização e vai poder ter um rendimento com aquele capital.”
Já no caso de um carro de família ou de um veículo antigo que tenha valor afetivo, a orientação é manter a manutenção em dia e fazer uma revisão completa antes de voltar a utilizar o automóvel.
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.



