Motos da Shineray poluem até 18 vezes acima do limite, aponta teste
Avaliação realizada pelo Instituto Mauá de Tecnologia, a pedido da Abraciclo, identificou emissões muito superiores às permitidas pela legislação em três modelos da fabricante; empresa contesta os resultados

Um teste realizado pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), de São Paulo, apontou que três motocicletas da Shineray comercializadas no Brasil emitem níveis de poluentes muito acima dos limites estabelecidos pela legislação ambiental. De acordo com a avaliação, alguns modelos chegaram a registrar emissões de hidrocarbonetos até 18 vezes superiores ao permitido, reacendendo a discussão sobre a conformidade ambiental dos veículos da marca.
Os ensaios envolveram os modelos Rio 125 EFI, SHI 175 EFI e JEF 150S, adquiridos no mercado como qualquer consumidor faria. Segundo os resultados, as motocicletas ultrapassaram os limites legais em praticamente todos os parâmetros avaliados, incluindo emissões de monóxido de carbono (CO), hidrocarbonetos (HC), hidrocarbonetos não metânicos (NMHC), óxidos de nitrogênio (NOx) e níveis de ruído.

O levantamento foi encomendado pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), que desde o fim de 2025 questiona a conformidade ambiental de modelos da Shineray. A nova avaliação buscou eliminar as críticas feitas anteriormente pela fabricante, que alegava falta de imparcialidade nos primeiros testes por terem sido realizados em laboratórios ligados às empresas associadas à entidade.
Segundo a Abraciclo, o novo laudo reforça as conclusões obtidas anteriormente e indica que as motocicletas excederam os limites legais em 63 dos 64 parâmetros analisados. Em alguns casos, as emissões ficaram muito acima dos valores permitidos pela regulamentação brasileira.

Além dos índices de emissões, os técnicos apontaram a ausência de componentes considerados obrigatórios para o controle ambiental, como catalisador, cânister e sistema fechado de ventilação do cárter, itens essenciais para reduzir a emissão de gases poluentes.
O caso está sendo analisado pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça, após representação apresentada pela Abraciclo. A entidade pede que as autoridades determinem medidas como recall dos modelos envolvidos e eventual suspensão das vendas, caso as irregularidades sejam confirmadas.
A Shineray informou apenas que o processo corre sob segredo de Justiça e afirmou que já apresentou todas as manifestações cabíveis às autoridades competentes. Por esse motivo, a empresa disse que não fará novos comentários sobre o caso neste momento. "Em razão de o tema estar sob segredo de justiça, não é possível tecer comentários adicionais. Informamos apenas que a Shineray já apresentou as manifestações cabíveis no processo, respeitando integralmente os trâmites institucionais", disse em nota.
Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.



