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Lecar é investigada por suspeita de pirâmide financeira na venda de carros

Marca do empresário Flávio Figueiredo Assis é alvo de investigação do Ministério Público Federal

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Lecar Tático
Conceito Lecar Tático • Divulgação | Lecar

A Lecar, marca do empresário capixaba Flávio Figueiredo Assis, que se autointitula o “Elon Musk brasileiro” ao prometer fabricar carros elétricos e híbridos no Brasil, está sendo investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) após o Ministério da Fazenda identificar indícios de esquema de pirâmide financeira na venda antecipada de veículos.

Segundo o portal Metrópoles, uma nota técnica elaborada pela Secretaria de Prêmios e Apostas Esportivas (SPA) aponta “forte indicativo de conduta potencialmente fraudulenta”, agravado pela ausência de uma fábrica construída ou de veículos devidamente homologados para o mercado brasileiro.

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O negócio consiste na venda dos veículos em planos de pagamentos em 48, 60 ou 72 parcelas sem juros, sob a promessa de entregar os carros aos clientes na metade do período. No entanto, o Ministério da Fazenda constatou que a Lecar não possui autorização legal para operar essa modalidade de consórcio ou venda antecipada.

A análise da Fazenda enviado ao MPF destaca quatro indícios principais:

  1. A Lecar exige pagamento de taxa de adesão para que o participante possa atuar como revendedor - ou seja, paga para trabalhar;
  2. A empresa vende promessa de entrega futura sem produto validado pelas autoridades e órgãos competentes;
  3. Emprega gatilhos psicológicos de urgência e escassez para pressionar adesões imediatas;
  4. Declara depender exclusivamente da adesão de novos clientes para suprir o fluxo de caixa.

“A análise da Notícia de Fato remetida pelo Ministério Público de São Paulo revela um quadro indiciário robusto, multifacetado e tecnicamente consistente, que aponta para a prática de ao menos duas categorias de ilícitos em tese praticados pela empresa Lecar S/A e seus administradores: (i) estrutura assemelhada a esquema de pirâmide financeira, com dependência declarada de novos ingressantes para cumprimento de obrigações pretéritas; e, (ii) publicidade enganosa e omissiva, em violação aos arts. 30, 31, 37 e 38 do Código de Defesa do Consumidor”, detalha o documento.

A procuradora da República Lisiane Cristina Braecher, do MPF de São Paulo, solicitou ao Ministério da Fazenda e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informações sobre como a Lecar pretende honrar os seus compromissos. De acordo com o CVM, prometer ganhos robustos sem investimentos é um indício típico de operações irreais.

Procurado pelo Metrópoles, Flávio Figueiredo Assis afirmou que a comunicação do negócio “é clara” e discorda do Ministério da Fazenda ao dizer que não há escassez ou urgência de oferta, conforme indicado pelo órgão.

Empresário Flávio Figueiredo Assis ao lado do protótipo da picape Lecar Campo • Divulgação
Empresário Flávio Figueiredo Assis ao lado do protótipo da picape Lecar Campo • Divulgação

“Não temos o carro homologado, não temos fábrica, tudo está em desenvolvimento. Não estamos vendendo algo diferente do que comunicamos”, afirmou o Elon Musk brasileiro. “Nosso plano de negócio prevê contribuição de 50% para entrega do bem e é óbvio que quanto mais clientes entrando, maior o número de contribuição e maior o saldo”, completou Assis.

Porém, o empresário não informou a quantidade de carros vendidos e nem o número de executivos contratados pela Lecar.

“Todos estão apostando, acreditando e apoiando a Lecar, comprando nosso projeto pela ‘causa nacional’, para o Brasil ter o carro nacional, investindo no ressurgimento da indústria automotiva brasileira”, esquivou o dono da Lecar.

Sobre a construção da fábrica em Sooretama-ES, Assis confirmou que o projeto está atrasado, mas “o processo está avançando bem e temos a expectativa de lançar a nossa pedra fundamental em breve”, concluiu.

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Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.