Bugatti muda de dono após 28 anos ligada ao Grupo Volkswagen
Venda da participação da Porsche marca o fim da ligação da marca francesa com o Grupo Volkswagen e consolida o controle da Rimac

A Bugatti encerrou oficialmente a ligação societária com o Grupo Volkswagen após 28 anos. A Porsche concluiu a venda de sua participação na marca de luxo francesa para o Rimac Group, colocando fim à história iniciada em 1998. A operação foi finalizada em 9 de setembro e movimentou cerca de 1 bilhão de euros para a Porsche.
O controle da Volkswagen sobre a Bugatti foi fundamental para o ressurgimento da marca francesa. Foi sob o comando do grupo alemão que surgiram modelos icônicos como o Veyron e o Chiron, responsáveis por recolocar a fabricante entre as referências mundiais em desempenho, luxo e tecnologia.

A relação direta com a Volkswagen, porém, começou a mudar em 2021. Naquele ano, a Bugatti passou a ser controlada pela joint venture formada pela Porsche (55% de participação) e a Rimac Group (45%). Agora, com a saída da Porsche, a Bugatti passa a ficar totalmente sob o controle da estrutura liderada pela Rimac.
Bugatti entra em nova fase
A mudança de controle acontece justamente quando a Bugatti inicia uma nova etapa tecnológica. O principal símbolo dessa transformação é o Tourbillon, sucessor do Chiron e primeiro modelo da marca a combinar um motor a combustão de 8,3 litros de 16 cilindros com quatro turbos a um sistema de propulsão eletrificado desenvolvido com a participação da Rimac.

Esse propulsor, concebido em parceria com a Cosworth, funciona associado a três motores elétricos. A produção do Tourbillon está prevista para começar ainda em 2026, dando continuidade à estratégia de manter motores de combustão extremamente potentes, mas combinados à eletrificação.
A escolha é significativa porque representa uma solução diferente daquela adotada pela Rimac em seus próprios modelos, predominantemente elétricos. Na Bugatti, a eletrificação serve para complementar um motor de combustão de grandes proporções, preservando parte da identidade mecânica que marcou a história recente da marca.
Porsche vai indenizar funcionários
A saída da Porsche faz parte de uma reestruturação mais ampla da fabricante alemã. A empresa enfrenta queda nas vendas na China e uma transição para carros elétricos mais lenta do que o esperado na Europa, além de ter realizado investimentos elevados em eletrificação.

Com a venda, a Porsche espera melhorar seu fluxo de caixa em 2026. A previsão de margem de fluxo de caixa líquido automotivo passou de uma faixa de 3% a 5% para 5,5% a 7,5%. Dos cerca de 1 bilhão de euros obtidos com a operação, 250 milhões de euros serão destinados ao financiamento de obrigações relacionadas a aposentadorias de funcionários.
A saída também provoca mudanças na administração. Mate Rimac, fundador da empresa croata, assumirá a presidência da Bugatti Automobiles, enquanto Marko Brkljačić, ex-executivo da Rimac Technology, deverá ocupar o cargo de diretor de operações.
Futuro da Bugatti ainda é incerto
Apesar da mudança de controle, a Bugatti continuará posicionada no segmento de hipercarros de produção extremamente limitada. Além do Tourbillon, a marca mantém programas especiais voltados a clientes que buscam modelos praticamente exclusivos.

Um exemplo é o programa Solitaire, criado para desenvolver carros únicos a partir de projetos existentes. A divisão foi lançada em 2025 e prevê a produção de, no máximo, dois exemplares únicos por ano, com carroceria e interior desenvolvidos especificamente para cada projeto.
Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.



