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Uva de mesa de Pernambuco ganha força na Europa com acordo do Mercosul-UE

Isenção progressiva de tarifas na União Europeia promete reduzir custos e disparar a competitividade das frutas produzidas no polo do Vale do São Francisco

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Uva de mesa de Pernambuco ganha força na Europa com acordo do Mercosul-UE
Patrícia Ritschel/Embrapa

O setor de fruticultura de alta tecnologia do Brasil acompanha com otimismo os desdobramentos do acordo comercial provisório entre o Mercosul e a União Europeia. Entre os principais beneficiados pela redução de barreiras protecionistas estão os produtores de uvas de mesa, que enxergam no bloco europeu uma janela estratégica para ampliar as exportações e consolidar a presença da fruta nacional no exterior.

Atualmente, o envio de uvas de mesa para o mercado europeu esbarra em tarifas alfandegárias que pesam sobre a competitividade do produto brasileiro frente a concorrentes que já possuem acordos bilaterais estabelecidos. A consolidação do tratado promete zerar ou reduzir progressivamente essas alíquotas, gerando um alívio financeiro direto na cadeia exportadora.

Ganhos de competitividade no Vale do São Francisco e regiões produtoras

De acordo com análises técnicas do setor, o fim das barreiras tarifárias deve impulsionar principalmente o polo produtor do Vale do São Francisco — cuja liderança exportadora está concentrada em Pernambuco, no município de Petrolina, e na Bahia, em Juazeiro.

O impacto positivo do acordo se divide em três pilares fundamentais:

  • Redução de custos na fronteira: a eliminação das taxas de entrada na União Europeia permite que a uva brasileira concorra em igualdade de condições com grandes produtores globais da América do Sul e da África.
  • Estímulo à inovação e novas variedades: com o mercado europeu mais acessível, o produtor nacional ganha fôlego financeiro para investir em genética, focando em uvas sem sementes (seedless), que possuem alto valor agregado e forte demanda entre os consumidores europeus.
  • Segurança jurídica e padrões de qualidade: o acordo prevê a harmonização de regras de defesa comercial e medidas sanitárias e fitossanitárias, o que desburocratiza o fluxo de embarques e garante maior previsibilidade para os contratos de exportação.

 

Janela de mercado e exigências rigorosas

Embora o cenário seja favorável, entidades ligadas à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) ponderam que a abertura comercial exigirá ainda mais eficiência das fazendas brasileiras. O mercado europeu é conhecido pelo alto rigor em relação aos critérios de sustentabilidade, rastreabilidade e limite máximo de resíduos (LMR) de defensivos agrícolas.

A expectativa é de que, à medida que as tarifas forem cortadas, o setor de uva de mesa passe por uma nova onda de certificações internacionais. Especialistas apontam que os produtores que já operam com foco em boas práticas agrícolas e responsabilidade socioambiental estarão na vanguarda para capturar as melhores margens de lucro logo após a entrada em vigor das novas regras aduaneiras.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde