UE recusa pedido do Brasil por prazo de adaptação em novas regras para carne bovina
Governo deve enviar documentação técnica exigida até o fim da semana; novas exigências entram em vigor em setembro

A União Europeia (UE) negou o pedido do governo brasileiro para criar um período de transição na aplicação das novas regras sobre o uso de antimicrobianos na produção animal, segundo apuração da CNN. O Brasil buscava dar fôlego especialmente à cadeia de carne bovina, permitindo um prazo maior para comprovar o histórico sanitário dos animais exportados.
Segundo fontes ligadas às negociações, o bloco europeu já barrou qualquer possibilidade de transição. O Palácio do Planalto e os ministérios avaliam que o grande desafio está na pecuária de corte, devido à complexidade da cadeia nacional: como o boi costuma passar por várias fazendas ao longo da vida, a rastreabilidade total exigida pela UE se torna um desafio.
A proposta brasileira era que os frigoríficos comprovassem a ausência de antimicrobianos apenas nos meses anteriores ao abate (período que coincide com o confinamento), enquanto um sistema definitivo seria desenhado. Enquanto setores de aves, ovos e mel têm ciclos mais curtos e controle mais fácil, a cadeia bovina esbarra na falta de um sistema validado pela Europa. Embora alguns frigoríficos já façam esse monitoramento estrito, o volume ainda é baixo e concentrado.
A nova legislação europeia, aprovada em 2018 e regulamentada em 2023, entra em vigor para os exportadores em setembro deste ano. Recentemente, a UE já havia suspendido o Brasil da lista de autorizados para produtos específicos que não cumpriam as exigências de antimicrobianos. O governo brasileiro pretendia enviar a documentação técnica exigida na última segunda-feira (25), mas o envio foi adiado para o fim desta semana.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



