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Tilápia ganha 39% mais peso com melhoramento genético da Epagri e impulsiona produção em SC

Trabalho de pesquisa com a linhagem GIFT gerou impacto de R$ 15,8 milhões em 2025; Santa Catarina consolida vice-liderança nacional na produção de alevinos

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Tilápia ganha 39% mais peso com melhoramento genético da Epagri e impulsiona produção em SC
Com cinco gerações de tilápia, programa de melhoramento genético da Epagri fez peixe ganhar 39% mais pes • Divulgação/Epagri

A produção de tilápias em Santa Catarina cresceu 65% na última década, saltando para o patamar de 50 mil toneladas em 2025. No centro dessa evolução está o programa de melhoramento genético conduzido pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), que desenvolveu cinco gerações da linhagem asiática GIFT, introduzida no estado em 2009, e garantiu um ganho de peso de 39% aos peixes.

O engenheiro de aquicultura Bruno Corrêa da Silva, pesquisador do Campo Experimental de Piscicultura de Itajaí (Epagri/Cepit), classificou o processo como uma construção gradual.

"O melhoramento genético é um trabalho de formiguinha: lento, mas constante e efetivo. A cada nova geração de tilápia, conseguimos acrescentar um pouco mais de rendimento. Foi assim que chegamos a um peso 39% maior. No momento, estamos trabalhando na sexta linhagem", contou Silva.

O impacto econômico desse ganho produtivo alcançou R$ 15,8 milhões em 2025, englobando os mercados de Santa Catarina e do Paraná, segundo dados do Balanço Social da Epagri. O cálculo considera que 100% da tilápia produzida comercialmente em território catarinense descende das linhagens GIFT aprimoradas pela instituição, que atribui a si uma contribuição de 60% no desenvolvimento dessa tecnologia.

Impacto econômico do melhoramento genético da tilápia nos últimos três anos foi de R$15,8 milhões em SC e no PR • Divulgação/Epagri
Impacto econômico do melhoramento genético da tilápia nos últimos três anos foi de R$15,8 milhões em SC e no PR • Divulgação/Epagri

 

Ganho em rendimento e adaptação ao frio

A evolução biológica refletiu diretamente na rentabilidade das propriedades locais. Miguel Faust, proprietário da Piscicultura Faust, localizada em São Ludgero (SC) e que comercializa cerca de 2 milhões de alevinos por ano, atestou os ganhos práticos no campo.

"Hoje temos peixes com crescimento mais rápido, melhor conversão alimentar, maior rendimento de filé e uma adaptação muito melhor às condições climáticas de Santa Catarina, especialmente às temperaturas mais baixas", afirmou o produtor.

Mesmo enfrentando limitações geográficas e climáticas, como o relevo acidentado que restringe a abertura de viveiros escavados e o frio que reduz o apetite dos peixes no inverno, Santa Catarina figura como o quarto maior produtor nacional de tilápia, atrás apenas de Paraná, São Paulo e Minas Gerais.

No segmento de alevinos, o estado ocupa a vice-liderança no país, também atrás do Paraná. Cerca de 12 empresas formam esse polo catarinense, atendendo aproximadamente 30 mil piscicultores locais e vendendo para outros estados. "Mais de 90% da produção é de tilápia", reforçou o pesquisador Bruno da Silva. Para manter a qualidade, a Epagri realiza capacitações bienais focadas em boas práticas de produção.

SC também é destaque na produção de alevinos de tilápia, produzidos a partir de matrizes da Epagri • Divulgação/Epagri
SC também é destaque na produção de alevinos de tilápia, produzidos a partir de matrizes da Epagri • Divulgação/Epagri

Fornecedora nacional de matrizes e tecnologias de manejo

Desde 2014, a Epagri comercializou mais de 318 mil matrizes para 56 produtores de alevinos distribuídos em 11 estados. Estima-se que cada matriz produza cerca de 1 mil alevinos por safra. Em Santa Catarina, 90% dos laboratórios de alevinagem utilizam o material genético da empresa pública.

Além do trabalho genético, a Epagri desenvolveu duas ferramentas de manejo que ajudaram a profissionalizar a tilapicultura regional:

  1. Sistema de produção padronizado: diretrizes completas sobre construção de viveiros, gestão sanitária, qualidade da água, povoamento, despesca e biossegurança.

  2. Tabela de alimentação para tilápias: guia técnico que determina a quantidade ideal de ração diária cruzando o peso do peixe e a temperatura da água. A ferramenta melhora a conversão alimentar, reduz custos, incrementa a receita líquida e diminui os impactos ambientais.

Com base nesse ambiente de inovação, o setor privado projeta expansão. A Aquacultura Nilótica, sediada em Timbó (SC) e fundada em 2002, planeja triplicar sua produção de alevinos nos próximos cinco anos, saltando para 30 milhões de unidades anuais. "O melhoramento genético traz uma melhora constante e que não tem volta. É disso que precisamos", sintetizou Jesus Pasco, gerente técnico da empresa.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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