Exportações de tilápia crescem em setembro, mas alta nos custos de produção pressiona setor
Impulsionados pela forte demanda internacional, embarques cresceram em setembro e dobraram frente a 2025; encarecimento do milho e da soja derruba o poder de compra dos piscicultores e eleva a pressão sobre a indústria

As exportações brasileiras de tilápia registraram crescimento de aproximadamente 32% em setembro de 2026, com os embarques avançando de 646 toneladas em agosto para 852 toneladas. Em valores, a receita passou de US$ 3,51 milhões para US$ 3,68 milhões.
Os dados, apresentados pela Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe Br) com base em levantamentos da Embrapa, refletem a competitividade do produto brasileiro no exterior, embora o cenário para os produtores internos siga desafiador devido à pressão dos custos e às margens apertadas na indústria.
O bom momento das vendas externas também é corroborado por levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), elaborado a partir de dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Ao contabilizar a totalidade das categorias e subprodutos exportados da tilápia, o volume total atingiu 1.397 toneladas no mês. O número representa um avanço de 4,1% na comparação com agosto e um crescimento expressivo de 100,8% em relação ao registrado em setembro de 2025, evidenciando a forte expansão da aquicultura nacional no mercado internacional.
Por outro lado, o mercado interno lida com a concorrência internacional. As importações brasileiras de tilápia vindas do Vietnã registraram alta em setembro, com destaque para o aumento dos volumes destinados a São Paulo e elevação no preço médio do produto importado que subiu para US$ 4,35 por quilo, acima da média acumulada no ano (US$ 4,14/kg).
Comportamento de preços e mercado interno
Apesar do desempenho positivo no comércio exterior, o cenário para os produtores internos e frigoríficos segue desafiador. De acordo com o Cepea/Esalq-USP, os preços pagos ao produtor pelo peixe vivo mantiveram relativa estabilidade no mês, com recuos pontuais em polos estratégicos:
- Quedas regionais: o Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba (MG) registraram recuo de 2,29%, com o quilo cotado a R$ 9,38, enquanto Morada Nova de Minas (MG) apresentou baixa de 0,75% e o Norte do Paraná recuou 0,59%.
- Atacado e varejo: no mercado de filé congelado, a demanda permaneceu retraída, resultando em queda de preços em São Paulo e Minas Gerais, e leve valorização no Paraná. As indústrias continuam a enfrentar dificuldades para repassar reajustes e manter margens saudáveis.
Custos de produção em alta pressionam rentabilidade
O principal ponto de atenção para a piscicultura nacional é a elevação contínua nos custos de alimentação dos peixes. Impulsionada pela valorização do milho e do farelo de soja, bases da ração, a relação de troca piorou para o piscicultor.
Segundo o Cepea, o poder de compra do produtor em relação à ração com 32% de proteína caiu pelo terceiro mês consecutivo em setembro, fruto da combinação entre preços estáveis ou em baixa para o peixe vivo e o encarecimento dos insumos.
Diante do cenário, o presidente da Peixe Br, Francisco Medeiros, destacou que a entidade segue monitorando ativamente as questões regulatórias e comerciais das importações para salvaguardar e ampliar a competitividade da tilápia nacional.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



