De olho na UE e recorde de exportações de pescado, Brasil projeta salto global na Seafood Show 2026
Evento reúne autoridades, embaixadores e lideranças do setor em São Paulo; debates destacam tributação, geopolítica, expansão para a União Europeia e agregação de valor ao produto nacional

Na abertura da quinta edição da Seafood Show Latin America 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo, o ministro da Pesca e Aquicultura, Rivetla Edipo Araujo Cruz, afirmou que o pescado brasileiro nasceu para ser protagonista no mercado global. Diante de representantes da indústria, entidades setoriais e delegações internacionais, o ministro defendeu a união entre poder público, iniciativa privada e academia para impulsionar o desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva.
“Essa proteína que chega à mesa da nossa população, que tem menor impacto no meio ambiente quando falamos de emissão de gases de efeito estufa, não pode voltar ao papel de coadjuvante. A gente precisa celebrar cada vez mais os avanços, o crescimento, o desenvolvimento e o fortalecimento da proteína de pescado”, afirmou Edipo.
O cenário internacional reforça a importância estratégica do setor. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a produção mundial da pesca e da aquicultura alcançou 223,2 milhões de toneladas em 2022 (relatório SOFIA 2024), ano em que, pela primeira vez, a aquicultura superou a pesca extrativa na produção de animais aquáticos, respondendo por 51% do total (94,4 milhões de toneladas). Para o ministro, o Brasil reúne condições naturais ímpares, como 8,5 mil quilômetros de litoral e vastos recursos hídricos, para ampliar sua fatia nesse mercado.
Recorde de exportações e avanço com a União Europeia
No âmbito do comércio exterior, Edipo Araujo destacou que o Brasil exportou 140,6 mil toneladas de pescado em 2025, gerando uma receita de US$ 472,5 milhões e estabelecendo um recorde na série histórica. O avanço é fruto da diversificação de destinos e da abertura de novos mercados desde 2023.
Entre as conquistas estratégicas mencionadas está a iminente retomada das vendas para a União Europeia. Segundo o ministro, o relatório preliminar da auditoria europeia apresentou uma avaliação positiva do sistema brasileiro de controle da produção primária. “Estamos muito próximos de reabrir o mercado da União Europeia para o pescado brasileiro, fruto de muito trabalho e comprometimento do Governo Federal com a iniciativa privada”, declarou.
Para dar suporte ao crescimento, o ministro pontuou ações de competitividade, como a isonomia tributária da ração, a simplificação do licenciamento ambiental e iniciativas de fomento como o programa ProAqui.
A solenidade contou também com a presença dos embaixadores do Chile, Issa Kort; da Noruega, Kjetil Elsebutangen; e do Vietnã, Bui Van Nghi, que ressaltaram a qualidade sanitária do produto nacional. A abertura ainda teve a contribuição de Eduardo Lobo (Mapa), que apresentou a marca Brazil Natural Seafood (ApexBrasil), e de lideranças como Fernando Ruas (Francal) e Ricardo Torres (Head do evento), que anunciou para 2027 a incorporação do setor primário na feira.
Industrialização, tributação e geopolítica comercial
A necessidade de consolidar uma política de Estado de longo prazo para ampliar a industrialização da riqueza natural do país foi tema central dos debates. O impacto de tarifas, disputas comerciais e reformas regulatórias foi discutido por Pablo Barahona (Consejo del Salmón), Jairo Gund (Abipesca) e Eduardo Sfoglia (Ministério da Pesca), sob moderação de Ricardo Torres:
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Mercado do salmão e Reforma Tributária: Barahona lembrou que o Chile é o maior produtor mundial de salmão (35% do global) e o Brasil seu segundo maior mercado. No Brasil, o consumo é impulsionado pelo sushi, com São Paulo concentrando 24% das vendas. A grande preocupação é a Reforma Tributária brasileira (alíquota de 26,5% até 2033), com o setor lutando para incluir o peixe na cesta básica e zerar o IVA Dual.
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Barreiras tarifárias: Jairo Gund relatou a atuação da Abipesca para reverter tarifas impostas pelos Estados Unidos, argumentando que o peixe representa apenas 1% das importações norte-americanas vindas do Brasil, o que garantiu a exclusão da sobretaxa sobre o camarão.
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Geopolítica global: Eduardo Sfoglia abordou a polarização comercial entre EUA e China e o surgimento de barreiras discriminatórias não usuais, reforçando que a diretriz do governo brasileiro tem sido a negociação diplomática e a busca por complementariedade bilateral, especialmente com o Chile.
Balanço global, aquicultura e valorização da Amazônia
O evento também debateu os desafios dos polos produtivos globais com representantes do Vietnã e do Chile, além da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). Francisco Medeiros pontuou que, apesar da regulamentação complexa, a piscicultura brasileira celebrou o marco histórico de superar 1 milhão de toneladas de peixes cultivados em 2025, com a tilápia respondendo por 707.495 toneladas (cerca de 70% do total nacional).
Manejo sustentável e gastronomia japonesa
A feira uniu negócios e valorização cultural através de atrações práticas:
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Pirarucu de 140 kg: No palco Seafood Service Show, a desossa e filetagem de um pirarucu gigante de 140 kg evidenciou o trabalho do Projeto Rural Sustentável Amazônia (IABS) junto a comunidades do Carauari (Asproc), unindo conservação ambiental e agregação de valor.

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Tradição do Sushi: Organizado pela Associação Geral del Sushi em parceria com o World Sushi Skills Institute, o evento promoveu a Cerimônia Kaitai (com um Atum Bluefin de 260 kg), seminários de afiação de facas e o Campeonato Brasileiro de Sushi. A disputa reúne 22 sushichefs avaliados por juízes japoneses na técnica tradicional Edomae, com os finalistas concorrendo a vagas para a Copa do Mundo de Sushi em Tóquio, em agosto de 2028.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



