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Recuperação dos preços melhora margem do produtor de feijão em 2026

Apesar do avanço, receita ainda não cobre custos totais em parte das regiões

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Dia Mundial do Feijão: grão tem mercado desafiador • Marcos Santos / USP Imagens

Os desembolsos para o cultivo de feijão preto na metade sul do Paraná somam R$ 4.430 por hectare, valor ligeiramente inferior ao registrado em 2025, de acordo com o levantamento da equipe de custos agrícolas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Para o feijão carioca na região de Curitiba (PR), os gastos permanecem estáveis em R$ 5.170 por hectare, no mesmo patamar de um ano atrás.

Para o cálculo, o Cepea considerou as médias de dezembro e janeiro, com base nas compras de todos os insumos e nas vendas de toda a produção no mesmo mês.

Segundo os pesquisadores, a forte recuperação dos preços nos últimos dois meses contribuiu para melhorar a margem do produtor. No caso do feijão preto na metade sul do Paraná, em janeiro de 2026, a receita obtida com a venda de 29,67 sacas por hectare, produtividade média considerada, seria suficiente para cobrir os custos operacionais. No entanto, não sobrariam recursos para arcar com a depreciação e o custo do capital investido, já que os custos totais são estimados em cerca de 40 sacas por hectare. O Cepea ressalta que a margem operacional ficou negativa entre abril e dezembro de 2025.

Para o feijão carioca na região de Curitiba, a venda de 28 sacas por hectare em janeiro de 2026 cobriria os custos operacionais e resultaria em margem operacional de 20,7%, a melhor desde maio de 2025 e bem superior aos 5,6% observados em janeiro do ano passado. Ainda assim, a receita não seria suficiente para cobrir os custos totais, estimados em mais de 30 sacas por hectare.

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*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.