Produtores do RS relatam atrasos na entrega de diesel no início do plantio
Farsul diz que restrições no abastecimento podem comprometer a janela de plantio e elevar os custos da produção

Produtores rurais do Rio Grande do Sul estão relatando restrições e atrasos na entrega de óleo diesel no Estado, no momento em que começa o plantio da safra de verão. Segundo o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), em comunicado divulgado nesta quinta-feira (10), o episódio é uma repetição de um problema já registrado.
"No início do ano, em plena colheita de arroz e soja, enfrentamos uma situação semelhante. Naquele momento, havia informação oficial de que existiam estoques no Estado, mas o combustível não chegava às propriedades", afirmou o presidente Domingos Velho Lopes em vídeo divulgado nas redes sociais da entidade.
Lopes afirmou que já havia denunciado o problema à época, cobrado explicações das autoridades e defendido uma investigação sobre o funcionamento da cadeia de distribuição. "Agora, o problema reaparece em um momento igualmente decisivo: o início do plantio da safra de verão", continuou.
Para Domingos, o momento é especialmente sensível porque o plantio tem prazo limitado. "O plantio tem uma janela que não pode ser adiada indefinidamente. Sem diesel, o produtor perde o momento adequado, pode reduzir a área plantada e comprometer a produtividade", explicou. O resultado, segundo ele, é "menor produção, menos renda circulando nos municípios e impacto negativo sobre a economia e o PIB".
O presidente da Farsul apontou ainda um segundo efeito da escassez: o encarecimento do combustível para quem consegue comprá-lo. "Quem ainda consegue receber o combustível pode ter de pagar mais caro. Isso aumenta o custo das máquinas, do transporte, do plantio e de toda a cadeia de produção". Na avaliação da entidade, os dois cenários, falta de diesel e combustível mais caro, convergem para o risco de pressão sobre os preços dos alimentos.
Como indício do problema, a Farsul citou dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), segundo os quais o preço nacional do diesel A ficou abaixo da paridade de importação durante todo o mês de agosto, com diferença que chegou a R$ 2,56 por litro. "Isso não comprova, isoladamente, uma falta física de produto. Mas é um sinal de alerta, porque reduz o incentivo econômico à importação em um país que depende do mercado externo para mais de um quarto do diesel que consome", afirmou Domingos.
Subvenção federal
O presidente da Farsul também comentou a medida anunciada pelo governo federal em 9 de setembro, que instituiu uma subvenção de R$ 1 por litro para produtores e importadores de diesel. Segundo ele, a iniciativa é bem-vinda, mas depende de execução. "A medida é necessária, mas precisa produzir resultado concreto. O benefício deve aparecer no preço e, principalmente, o combustível precisa chegar até o produtor", continuou.
A entidade afirmou estar reunindo relatos de produtores e diz que exigirá transparência sobre estoques regionais, pedidos recusados, volumes destinados aos Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs), calendário de importações e prazos de entrega. A Farsul também pediu que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) "investigue imediatamente eventuais recusas injustificadas de fornecimento e aumentos abusivos de preços".
*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.



