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Pesquisa da Epamig estuda amidos de PANCs para ampliar uso na indústria de alimentos

Projeto avalia aplicações da araruta em produtos panificáveis, alimentos sem glúten e embalagens biodegradáveis, com foco em sustentabilidade e segurança alimentar

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PANCS
Divulgação / EPAMIG

Um estudo inovador irá caracterizar fontes alternativas de amido provenientes de Plantas Alimentícias não Convencionais (PANC), bem como seus potenciais e aplicações. A pesquisa está sendo desenvolvida pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig).

O projeto "Desenvolvimento de resinas comestíveis a partir de biopolímeros e pigmentos naturais de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC)”, é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e coordenado pelo pesquisador Vinícius Tadeu da Veiga Correia.

Parte do projeto, o trabalho "Protocolos de modificação do amido de araruta com baixa toxicidade: ozonização com ar atmosférico, recozimento sob umidade controlada e despolimerização ácida para aplicação em alimentos", foi apresentado no 4º Congresso Brasileiro de Tecnologia de Cereais e Panificação e recebeu menção honrosa.  

“O objetivo foi estabelecer e descrever, em escala laboratorial e sob condições comparáveis, três protocolos de modificação do amido de araruta, visando ampliar seu potencial de aplicação em produtos panificáveis e outros alimentos à base de amido”, informou Vinícius Correia.  

O conteúdo faz parte da dissertação de mestrado "Propriedades nutricionais do rizoma e comportamento tecnológico do amido de araruta (Maranta arundinacea L.), com proposta de ferramenta colaborativa para mapeamento de PANC" do pesquisador Warley Alisson Souza no Programa de Pós-Graduação em Ciência de Alimentos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Sustentabilidade e Segurança Alimentar

O Congresso Brasileiro de Tecnologia de Cereais e Panificação foi realizado de 21 a 23 de maio, em Sete Lagoas (MG), e reuniu pesquisadores, estudantes e profissionais da área de cereais, panificação e produtos amiláceos. O tema central foi “Mudanças Climáticas e segurança alimentar: caminhos da tecnologia de cereais e panificação”.

Neste cenário, as plantas alimentícias não convencionais, caso da araruta, tornam-se uma opção para a diversidade dos sistemas alimentares, contribuindo para a segurança alimentar, a valorização da biodiversidade e a construção de sistemas produtivos mais resilientes frente às mudanças climáticas.

“A araruta se destaca como uma cultura com potencial estratégico, por apresentar rusticidade, boa produtividade e capacidade de adaptação a diferentes condições de cultivo”, afirmou Vinícius Correia.

A fécula da araruta pode ser utilizada na produção de biscoitos, bolos e pães, como agente espessante na elaboração de molhos, caldos e sopas e como estabilizante em recheios. Também é empregada em formulações destinadas à alimentação infantil e em dietas e preparações sem glúten.

“Além das aplicações tradicionais, pesquisas recentes têm avaliado o uso da fécula na produção de filmes biodegradáveis e revestimentos comestíveis”, disse o pesquisador da Epamig.

“O trabalho despertou interesse por abordar uma matéria-prima ainda pouco explorada pela indústria, a araruta, e por apresentar alternativas de modificação do amido utilizando métodos de baixa toxicidade. A obtenção do amido de araruta não é complexa, mas envolve etapas que demandam tempo e cuidados para garantir a pureza do produto final”, explicou.

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*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.