Minas Gerais deve colher 33,4 milhões de sacas de café arábica em 2026
Estimativa do Sistema Faemg Senar é 1,8% maior que a projeção da Conab e 4,7% acima da estimativa do IBGE

A safra de café arábica em Minas Gerais deve alcançar 33,4 milhões de sacas em 2026. Os dados fazem parte da primeira Pesquisa Safra Café, lançada pelo Sistema Faemg Senar nesta quarta-feira (9), no Centro de Excelência em Cafeicultura, em Varginha, no Sul de Minas.
A pesquisa é o maior levantamento de campo já realizado sobre a safra cafeeira em Minas Gerais. O estudo foi desenvolvido a partir de informações coletadas em 5.155 propriedades rurais, distribuídas em 269 municípios, cobrindo cerca de 90% da produção de café arábica nas quatro regiões cafeeiras do estado. O levantamento proporciona um retrato da produção a partir da realidade observada nas lavouras e junto aos produtores.
A estimativa é 1,8% superior à projeção divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em maio, e 4,7% acima da estimativa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em março.
Segundo o presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo, é preciso produzir informações confiáveis para dar visibilidade ao setor, orientar decisões e fortalecer a representação dos produtores. “Esta pesquisa é o pontapé inicial para construir uma série histórica da cafeicultura brasileira a partir do campo, sem competir com os levantamentos já existentes, mas somando dados para que o produtor e toda a cadeia tenham uma visão mais clara da realidade", afirmou.
A ideia da pesquisa surgiu como um desafio mapeado pela Comissão Técnica de Café da Faemg. O material coletado reúne informações sobre área cultivada, produtividade, ritmo da colheita, volume já produzido, carga remanescente nas lavouras, condições climáticas e fitossanitárias e expectativas dos cafeicultores. Os dados foram submetidos a metodologia estatística, com respaldo científico da Universidade Federal de Lavras (UFLA), por meio do Centro de Inteligência em Mercados.
Planejamento para o futuro
Para a analista de Agronegócio do Sistema Faemg Senar, Ana Carolina Gomes, a produção de dados diretamente no campo pode contribuir para decisões mais assertivas dentro das propriedades.
“A estatística traz segurança e uma visão de planejamento e tomada de decisão. O que eu, enquanto produtor, vou fazer? Vou plantar mais? Vou melhorar a produtividade? Vou diminuir custos? Queremos, com essa iniciativa, trazer mais lucidez para o mercado e, principalmente, para os produtores”, destacou.
A pesquisa também considera o cenário de desafios climáticos enfrentado pela cafeicultura nos últimos anos. Ondas de calor, irregularidade das chuvas e precipitações durante o período de colheita têm exigido maior resiliência e capacidade de planejamento dos produtores.
A expectativa é de que a iniciativa seja ampliada nos próximos anos, alcançando outros estados e espécies de café.
*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.



