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Apesar de recorde em agosto, exportação de café acumula queda no ano

Mesmo com melhor mês de agosto da história, embarques nos primeiros oito meses recuaram 1,2% devido a gargalos portuários e menor oferta no 1º semestre

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Torrador da Poema Café
Giullia Gurgel/ Itatiaia

Embora o mês de agosto tenha cravado a maior marca histórica de embarques, o resultado acumulado do Brasil no comércio exterior de café nos primeiros oito meses de 2026 apresenta retração. Conforme aponta o levantamento do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), de janeiro até o fechamento de agosto, o país enviou 25,073 milhões de sacas a 119 nações, número 1,2% inferior aos 25,370 milhões de sacas registrados no mesmo intervalo do ano anterior. A receita cambial acumulada no ano civil sofreu redução de 9,3%, caindo de US$ 9,686 bilhões para US$ 8,787 bilhões.

O presidente do Cecafé avaliou que o recuo nas métricas acumuladas é reflexo direto de uma combinação de fatores climáticos e de mercado do ciclo passado. “Viemos de um ano anterior com bom volume de embarques e de safra menor, o que diminuiu os estoques e, consequentemente, a oferta de café para o primeiro semestre. Além disso, as chuvas em plena colheita, em especial em julho, atrasaram a entrada dos cafés arábicas da nova temporada, que se apresentaram ao mercado somente a partir de agosto”, detalhou Ferreira.

Apesar da recuperação de ritmo na colheita, os embarques continuam enfrentando obstáculos estruturais na malha logística nacional e incertezas no ambiente de comércio exterior:

  • Infraconstrução e logística: a defasagem operacional nos principais portos brasileiros segue travando o ritmo das exportações. O Porto de Santos (SP), por onde escoou 70,9% do café brasileiro no ano (17,788 milhões de sacas), e o complexo portuário do Rio de Janeiro, responsável por 24,9% dos embarques (6,252 milhões de sacas), vêm registrando gargalos severos. O problema gera atrasos constantes e custos extras para o setor com armazenagens adicionais e rolagens de carga.

  • Barreiras tarifárias e o mercado norte-americano: o cenário comercial com os Estados Unidos também impôs entraves ao longo do ano. O país, que figura como maior destino do café brasileiro (3,158 milhões de sacas e 12,6% de representatividade no ano), registrou uma queda de 21,6% nas compras em relação a 2025. O recuo foi motivado pelas incertezas geradas pelo "tarifaço" americano vigente até meados de julho, quando as taxas cobradas sobre o café solúvel foram retiradas — após a isenção de outros tipos do grão ter ocorrido em novembro de 2025.

Além dos EUA, os principais mercados compradores do produto brasileiro no acumulado de 2026 foram a Alemanha (2,824 milhões de sacas), Itália (2,248 milhões), Bélgica (2,115 milhões) e Japão (1,305 milhão).

Quanto aos perfis do grão enviados ao exterior, o café arábica manteve a liderança isolada, respondendo por 71,2% do total (17,863 milhões de sacas), apesar da queda de 11,8% ante 2025. O destaque positivo absoluto no ano continua sendo a espécie canéfora, que somou 4,339 milhões de sacas (17,3% do total) e registrou uma expansão de 68,6% no comparativo anual.

Já os chamados cafés diferenciados, que englobam grãos de qualidade superior ou certificados por práticas sustentáveis, somaram 4,294 milhões de sacas (17,1% do total exportado), gerando uma receita de US$ 1,763 bilhão a um preço médio de US$ 410,62 por saca. Com o fim das incertezas tributárias nos EUA e o avanço da colheita, a expectativa do setor é de normalização no ritmo de negócios nos próximos meses.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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