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“Medidas do governo não vão funcionar”, alerta presidente da Faemg

Presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo critica medidas ineficazes e aponta infraestrutura precária como obstáculo

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Antônio de Salvo em entrevista ao Rádio Vivo na segunda-feira (10)
Antônio de Salvo em entrevista ao Rádio Vivo na segunda-feira (10) • Reprodução/ Faemg Senar

Em entrevista concedida ao Rádio Vivo nesta segunda-feira (10), em Belo Horizonte, Antônio de Salvo, presidente do Sistema Faemg Senar, expressou ceticismo em relação às recentes medidas anunciadas pelo governo federal para reduzir os preços dos alimentos. Segundo ele, as ações são "completamente inócuas" e não devem trazer o resultado esperado.

O presidente apontou a logística precária e a falta de infraestrutura como os principais obstáculos para a redução dos preços. Ele criticou a situação da BR-040, que passou meses sem concessionária, e a lentidão na implementação de projetos como a Ferrogrão, que enfrenta entraves ambientais.

"O Brasil não tem estrutura para crescer", afirmou ressaltando que a culpa não é exclusiva do governo atual, mas de uma série de gestões que não compreenderam a dimensão do país.


Antônio de Salvo foi convidado do programa Rádio Vivo, apresentado pelo jornalista Eduardo Costa

Café e ovos: preços em alta sem previsão de queda

Salvo alertou que os preços do café e dos ovos devem continuar em alta nos próximos meses. No caso do café, a quebra de safra devido a eventos climáticos e o aumento da demanda global, especialmente na China, pressionam os preços. Já os ovos, sofrem com a gripe aviária nos Estados Unidos e a especulação no mercado brasileiro.

Otimismo

Apesar do cenário desafiador, Salvo demonstra otimismo em relação à safra de grãos, que deve começar a ser colhida em breve. Ele ressalta a importância da soja e do milho, que servem de base para a alimentação animal e, consequentemente, para a produção de carnes, leite e derivados.

No entanto, o presidente da Faemg Senar critica a instabilidade econômica do país, que afasta investidores e impede o desenvolvimento do setor agropecuário. Ele defende a necessidade de um planejamento macro de longo prazo e de medidas que incentivem a produção, como a redução de impostos sobre insumos agrícolas.

"Não dá para pagar em um trator metade de imposto", exemplificou, defendendo que o governo deve "baixar a despesa" e "adequar o que ele arrecada" para criar um ambiente mais favorável ao setor.

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Esta reportagem foi escrita por jornalistas do Sistema Faemg Senar e publicada em parceria com a Itatiaia. Tudo é agro: do alimento à energia, a força do campo está em nosso dia a dia. O Sistema Faemg Senar é a referência do setor, representando e valorizando os produtores rurais de Minas Gerais.