Mamão, melão e manga lideram exportações de frutas do Brasil; vendas de abacate saltam 430%
Estudo da revista 'Hortifruti Brasil' (Cepea) revela que 7 das 9 principais frutas analisadas ampliaram sua participação no mercado global entre 2016 e 2024

O mamão, o melão e a manga continuam ocupando as primeiras posições no ranking de Vantagem Comparativa Revelada (VCR) do agronegócio nacional. A constatação faz parte do estudo divulgado nesta quinta-feira (15) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), na edição de outubro da revista Hortifruti Brasil.
A análise comparou o desempenho de nove frutas — mamão, melão, manga, limões/limas, melancia, uva, abacate, banana e maçã — entre os anos de 2016 e 2024. Os dados revelam que sete dessas nove culturas registraram avanço no indicador, ampliando suas respectivas fatias no valor total das exportações mundiais de frutas.
Avanço e trajetórias específicas
Calculado com base nos dados oficiais da Faostat e do Comex Stat, o indicador de VCR mede a especialização exportadora relativa de cada produto ao comparar a fatia da fruta nas vendas externas brasileiras com o seu peso no comércio global.
Além do trio que lidera a lista, limões e limas, melancia, uva e abacate também conquistaram mais espaço no mercado internacional ao longo do período analisado. Segundo os pesquisadores do Cepea, o ganho de participação dessas cadeias é explicado por fatores estratégicos, tais como:
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Calendário de produção: capacidade de ofertar em janelas de menor concorrência global;
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Inovação varietal: adoção de cultivares adaptadas ao gosto e às exigências dos importadores;
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Eficiência logística: manutenção da qualidade e regularidade nas entregas no exterior.
Um dos principais destaques do levantamento é o abacate. Impulsionada pela variedade Hass, a receita das exportações brasileiras da fruta saltou de US$ 6,8 milhões em 2016 para US$ 36,2 milhões em 2024 (em valores correntes). Para consolidar esse ritmo de expansão, contudo, o setor ainda precisa vencer desafios de escala, produtividade e conservação ao longo do fluxo logístico.
Apelo doméstico vs. orientação externa
Por outro lado, banana e maçã apresentaram menor índice de especialização exportadora no período. O estudo ressalta que esse resultado reflete a forte vocação e prioridade do mercado doméstico na absorção da produção dessas duas cadeias.
Nesses casos, a expansão no exterior enfrenta a concorrência de grandes produtores globais já consolidados, somada aos custos de frete e gargalos operacionais de transporte.
Requisitos para sustentar a presença internacional
Para os especialistas do Cepea, capturar oportunidades no comércio internacional exige planejamento rigoroso. Aproveitar janelas de mercado requer que o produto chegue ao destino mantendo o padrão de qualidade exigido pelos compradores.
Sustentar a competitividade brasileira no longo prazo dependerá de ações focadas no controle rígido de custos, redução de perdas no pós-colheita, diversificação de destinos comerciais e manutenção da rentabilidade do produtor rural.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



