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Leilões no Triângulo Mineiro têm alta de matrizes e refletem crise do leite

Participação chega a 25% dos animais; produtores vendem vacas antes do descarte, pressionados por custos e baixa rentabilidade

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Divulgação / Pexels

Leilões no Triângulo Mineiro registraram um aumento no número de matrizes para comercialização. Desde o início do ano, os eventos semanais promovidos para compra e venda de gado têm apresentado mais matrizes, chegando a 25% do total de animais disponíveis.

Segundo o presidente do Núcleo dos SPRs do Triângulo e Alto Paranaíba, Osny Zago, o perfil dos animais tem mudado. “Era comum ter de 5% a 10% de matrizes, mas eram animais em fase final de produção e que iriam para o descarte. Hoje, estamos vendo vacas que ainda ficariam de 2 a 3 anos em processo de lactação sendo comercializadas”, afirmou.

A crise no setor leiteiro brasileiro tem pressionado produtores em todo o país. A combinação entre baixa rentabilidade, aumento dos custos de produção e concorrência de produtos importados tem reduzido as margens e ampliado a insegurança.

Para Zago, o movimento é impactante, pois prejudica o projeto de vida do produtor. “Uma vaca que ele [produtor] comprou por cerca de R$ 8 mil, investindo em genética, agora está vendendo a R$ 3 mil ou R$ 4 mil, uma perda de 50% do valor. Comprou o animal para uma finalidade e está vendendo por outra, em virtude da falta de política e de incentivos para manter o produtor no campo”, argumentou o presidente.

O pecuarista de corte e leite, Abel Fêlix, de Sacramento, compartilhou os motivos de estar se desfazendo do gado de leite. “Recebi R$ 1,55 pelo litro de leite. Este valor não cobre os meus custos nem de nenhum produtor. Por isso, abri mão de grande parte do meu rebanho leiteiro. Conheço produtores que se desfizeram de todo o seu plantel nos leilões. Infelizmente, esta é a situação dos produtores da região”, afirmou.

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*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.