Belo Horizonte
Itatiaia

Incêndios já causaram R$ 180 milhões de prejuízos ao setor sucroenergético no estado

No Triângulo Mineiro, responsável por 78% da produção de cana-de-açúcar, foram queimados aproximadamente 45 mil hectares de plantações, 30 mil de cana a ser colhida

Por
Com o aumento das queimadas no Pantanal, equipes do DF e RS vão ajudar no combate ao fogo • Divulgação / Governo do MS

O presidente do Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (SIAMIG Bioenergia) Mário Campos, disse, ontem (11), durante audiência pública promovida pela Comissão de Agropecuária e Agroindústria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) que, somente no Triângulo Mineiro, responsável por 78% da produção de cana-de-açúcar no Estado, já foram queimados aproximadamente 45 mil hectares de plantações, sendo que destes, 30 mil eram de cana a ser colhida, correspondendo a cerca de 2 milhões de toneladas. O setor já contabiliza R$180 milhões de prejuízos iniciais com os incêndios no estado.

O debate sobre as consequências dos incêndios, especialmente para o setor sucroenergético, atendeu a requerimento do presidente da comissão, deputado Raul Belém, que reforçou a necessidade de esclarecer que o setor produtivo não é culpado pelos incêndios e, na prática, é mais uma vítima do fogo. “Vivemos algo inédito em termos climáticos. Nunca passamos por uma estiagem tão severa e tantos danos provocados por incêndios, daí a necessidade de reavaliar, permanentemente, a capacidade do Estado de enfrentá-los”, afirmou o parlamentar.

As informações foram sintetizadas na apresentação feita por Campos. Ele defendeu uma limpeza mais eficiente das faixas de domínio das rodovias, pois muitas delas cortam áreas com plantações, matas ou vegetação seca e alertou sobre a necessidade de uma ação mais eficaz da Cemig na manutenção preventiva contra incêndios, com a substituição de estruturas antigas, como postes de madeira.

Ele também defendeu a reestruturação do programa Previncêndio, com medidas como a disponibilização exclusiva de aeronaves de combate a incêndios nas regiões mais vulneráveis durante o período crítico, de julho a setembro. “Esse programa é uma força-tarefa do poder público para garantir uma resposta mais rápida e coordenada na fiscalização, prevenção e combate a incêndios nas unidades de conservação do Estado”, disse.

Leia mais:

Incêndios se alastram cada vez mais em Minas e pelo menos sete parques preservados enfrentam queimadas

Incêndio de grandes proporções atinge a Serra da Piedade, na Grande BH

Incêndios provocam situação de calamidade pública em Ribeirão Preto e mal-estar na população; entenda

Presidente cobrou mais investimentos no Corpo de Bombeiros

Mário Campos também cobrou mais investimentos na infraestrutura e no pessoal do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar Ambiental, destacando a infraestrutura de combate a incêndios que as empresas do setor sucroenergético já possuem. São equipes com equipamentos, veículos e até aeronaves, que passam por treinamento constante e realizam ações de monitoramento e educação ambiental.

Produtores vão precisar de mais prazos para pagar as dívidas

Outras propostas foram a ampliação do prazo para pagamento de dívidas dos produtores que tiveram suas propriedades atingidas, a manutenção das rodovias com ações de segurança contra incêndios, por meio de aceiros em toda a faixa marginal sob domínio das vias, e o pedido para que as estruturas do programa Previncêndio fiquem à disposição para combate ao fogo mesmo fora das unidades de conservação.

Participaram da audiência os deputados Dr. Maurício e Antônio Carlos Arantes; o secretário-adjunto de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, João Ricardo Albanez, o gerente do Departamento Técnico da Emater, Milton Flávio Nunes, a gerente de sustentabilidade do Sistema Faemg Senar, Mariana Ramos, o presidente da Academia Latino-Americana do Agronegócio, Manoel Mário de Souza Barros, o representante jurídico da Associação dos Fornecedores de Cana da Região de Campo Florido (Canacampo), Renato Aparecido Roque, e a chefe do Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Meio Ambiente da PCMG, Bianca Landau Braile.

Por

Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais 'Hoje em Dia' e 'O Tempo' e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.