IMA entrega primeira certificação de café regenerativo de Minas Gerais na próxima semana, durante a SIC
Semana Internacional do Café será realizada nos dias 11, 12 e 13 de novembro, no Expominas, em Belo Horizonte; certificação será concedida a uma produtora de Três Pontas

A próxima semana será marcada por novidades para a cafeicultura mineira. Entre quarta-feira (11) e sexta-feira (13) de novembro, Belo Horizonte recebe a Semana Internacional do Café (SIC), no Expominas. Um dos destaques da programação será a entrega da primeira certificação de café da agricultura regenerativa de Minas Gerais, concedida pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA).
A iniciativa é pioneira no país como política pública estadual e representa um avanço na política de certificação agropecuária.
A primeira propriedade pertence a Carmem Lúcia Chaves de Brito, em Três Pontas, no Sul de Minas. Conhecida carinhosamente como Ucha, é uma das principais referências na cafeicultura sustentável e de cafés especiais no Brasil. O reconhecimento é resultado de um trabalho iniciado em 2024, quando o setor demandou ao IMA a criação de critérios específicos para a certificação da agricultura regenerativa. O escopo foi apresentado na edição de 2025 e, agora, durante a SIC 2026, será emitido o primeiro certificado.
A diretora-geral do IMA, Luiza Moreira Arantes de Castro, destaca que o processo foi construído em diálogo com o setor produtivo. “Para o desenvolvimento desse escopo específico, ele foi amplamente dialogado com o setor. O setor demandou para a gente, na SIC de 2024, que desenvolvesse esse escopo. Na SIC de 2025, entregamos o escopo e agora, na SIC de 2026, entregamos o primeiro certificado da agricultura regenerativa”, explicou.
A agricultura regenerativa reúne práticas voltadas à recuperação e à conservação dos recursos naturais, com atenção especial à saúde do solo, à biodiversidade, aos recursos hídricos e ao planejamento de manejo da propriedade. Para receber o selo, as propriedades passam por auditorias que verificam o cumprimento dos critérios estabelecidos.
Segundo Luiza, o IMA é o primeiro órgão estadual do país a oferecer esse tipo de certificação como política pública. Para os agricultores familiares mineiros, o serviço é gratuito, inclusive a visita do auditor à propriedade.
“É uma possibilidade ímpar de acesso dos produtores de Minas Gerais à certificação. Aqui, em Minas Gerais, ela é gratuita para a agricultura familiar. Não paga nem a visita. O Estado paga a visita do auditor justamente para garantir o acesso desse agricultor familiar aos mercados mais exigentes”, afirmou.
A certificação também busca ampliar a presença do café mineiro no mercado internacional. A diretora-geral do IMA lembra que as exigências ambientais têm ganhado importância nas relações comerciais, especialmente na União Europeia, com regras relacionadas ao desmatamento e à sustentabilidade da produção.
Mais de 20% do café que chega ao mercado europeu tem origem brasileira. Minas Gerais, principal estado produtor do país, tem potencial para ampliar a participação nesse mercado.
“Temos muitos produtores que têm plena condição de atender a esses requisitos, agregar valor e colocar o produto deles lá fora. Quando pensamos em escala, estamos falando de desenvolvimento econômico, dinheiro no bolso e melhoria da qualidade de vida das famílias”, ressaltou Luiza.

Atendimento aos produtores durante a SIC
Durante os três dias da Semana Internacional do Café, o IMA também terá um guichê de atendimento para orientar produtores interessados na certificação. Será possível esclarecer dúvidas, regularizar documentação, solicitar novos escopos de certificação e resolver pendências.
A diretora-geral explica que produtores que já possuem certificação de café estão mais próximos de conseguir o reconhecimento da agricultura regenerativa.
“Os produtores que já são certificados do café estão a meio caminho andado para a agricultura regenerativa. O requerimento poderá ser feito lá. Quem tiver alguma pendência documental também poderá resolver isso durante o evento”, destacou.
Parceria com o Senar amplia certificações
Outra novidade anunciada pelo IMA para a SIC é a entrega das primeiras certificações de café decorrentes de um acordo de cooperação técnica firmado com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), em 2025.
Pela parceria, os técnicos do Senar preparam as propriedades rurais para as auditorias realizadas pelo IMA. Nesta primeira etapa, duas propriedades alcançaram 100% de aprovação nas avaliações.
Luiza atribui o resultado ao trabalho conjunto de assistência técnica e certificação e espera ampliar o número de propriedades reconhecidas nos próximos anos.
Certificação agrega valor e amplia acesso ao crédito
Além de comprovar a adoção de práticas sustentáveis, a certificação pode representar vantagens econômicas para os produtores, como acesso a mercados mais exigentes e condições diferenciadas de financiamento, incluindo descontos em taxas vinculadas ao crédito rural.
Minas Gerais mantém uma política pública de certificação desde 2008. O trabalho envolve o IMA, responsável pelas auditorias e certificações, e instituições de assistência técnica, como a Emater-MG e o Senar.
Para a diretora-geral, a confiança é um dos principais ativos do processo.
“Quando a gente está falando de mercado, está falando de confiança. O selo demonstra que existe um trabalho técnico, acreditado pelo Inmetro, para verificar se os requisitos daquela produção foram atendidos. Isso tem valor tanto para o consumidor brasileiro quanto para os mercados internacionais”, concluiu.
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.



