Governo e Cecafé articulam defesa do café brasileiro contra pressão dos EUA
Em reunião com o Na reunião, foi abordado o Acordo Mercosul-União Europeia, que deve ampliar a competitividade e a presença brasileira no mercado europeu

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e o Governo Federal intensificaram, nesta quinta-feira (23 de abril), as ações para ampliar a segurança jurídica e comercial dos exportadores brasileiros de café. O encontro articulou uma defesa ao aumento do rigor regulatório e das pressões políticas nos Estados Unidos e a preparação para a abertura de mercados na União Europeia.
Com Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Cecafé reuniu-se com o ministro Luiz Marinho e representantes do Itamaraty para reafirmar os compromissos do "Pacto do Café". O foco central foi o combate a narrativas imprecisas que tentam associar a cafeicultura brasileira ao trabalho forçado de forma generalizada.
O setor monitora com preocupação o risco de o governo dos EUA utilizar as Withhold Release Orders (WROs) — ordens que bloqueiam a entrada de mercadorias — de forma indiscriminada. A apreensão se agravou após uma denúncia apresentada à alfândega norte-americana (CBP) em março de 2025, que apontava erroneamente uma presença sistêmica de irregularidades no Brasil.
Para contrapor esses dados, o Cecafé revelou que as violações de direitos humanos são detectadas em apenas 1% das inspeções, comprovando que os casos são isolados e devidamente sancionados pelo Estado.
Além do cenário norte-americano, o Brasil se prepara para as novas normas da União Europeia sobre trabalho forçado, que entrarão em vigor plenamente em dezembro de 2027. O plano de ação proposto pelo Cecafé foca em uma comunicação assertiva por meio da criação de documentos técnicos baseados em dados oficiais para desmentir notícias falsas, além do estabelecimento de parcerias internacionais para municiar entidades como a National Coffee Association (NCA) com informações contextuais que permitam realizar o advocacy em defesa do produto brasileiro.
O plano prevê ainda o fortalecimento da articulação interministerial no diálogo institucional com autoridades estrangeiras, visando demonstrar a transparência e a robusta proteção jurídica conferida aos trabalhadores no Brasil.
MAPA: foco na qualidade e no Acordo Mercosul-UE
Simultaneamente, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, reuniu-se com o conselho para tratar do fortalecimento da cadeia produtiva. O encontro destacou o cenário promissor com a entrada em vigor do Acordo Provisório Mercosul-União Europeia, marcada para 1º de maio de 2026.
Para o ministro André de Paula, o café brasileiro — que faturou mais de US$ 3 bilhões em vendas externas apenas no primeiro trimestre — ganhará ainda mais evidência global. “Nosso café tem uma qualidade ímpar, capaz de conquistar ainda mais mercados e atrair investidores”, afirmou o ministro durante o encontro em Brasília.
Salto nos cafés industrializados
Um dos pontos altos da articulação com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) foi a perspectiva para os cafés industrializados. Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Cândido Ferreira, o acordo com a União Europeia trará uma redução tarifária gradual, eliminando a taxa atual de 9% em até quatro anos.
Essa mudança deve impulsionar o setor significativamente, com uma estimativa de aumento de 35% nas exportações de cafés industrializados no período. "Isso vai impulsionar o setor, ampliando nossa presença naquele mercado", reforçou Ferreira. Atualmente, o Cecafé reúne 120 associados que respondem por 97% das exportações de café do Brasil, consolidando o papel da entidade como motor do desenvolvimento nacional nos mercados globais.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



