Itatiaia

CNA entra com ação no Supremo contra importação de arroz pelo governo Lula

Ação Direta de Inconstitucionalidade pede, entre outras medidas, a suspensão do primeiro leilão público da Conab

Por
Diferença de preços em itens da cesta básica chega a 130% e arroz custa R$ 22,85 em Belo Horizonte
Governo tenta retomar leilão para importação do arroz, agora com novas regras • Pixabay I Banco de Imagens

A autorização do governo Lula para importação de arroz foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF). Isso porque a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) protocolou, nesta segunda-feira (3), uma ação contra a decisão do governo federal de autorizar a importação de arroz.

Conforme nota da entidade, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) pede, entre outras medidas, a suspensão do primeiro leilão público da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), marcado para esta quinta-feira (6), para a compra do cereal importado e pede explicações ao governo sobre a medida.

Na visão da CNA, a compra de arroz do exterior poderá "desestruturar" a cadeia produtiva do arroz no País, "criando instabilidade de preços, prejudicando produtores locais de arroz desconsiderando os grãos já colhidos e armazenados, e, ainda, comprometendo as economias de produtores rurais que hoje já sofrem com a tragédia e com os impactos das enchentes", diz.

A entidade questiona também a constitucionalidade das normas referentes ao tema, contempladas por duas medidas provisórias, duas portarias interministeriais e uma resolução do Comitê Gestor da Câmara de Comércio Exterior, normas que preveem a importação de até 1 milhão de toneladas do cereal.

A CNA argumenta ainda que 84% da área plantada com arroz no Rio Grande do Sul havia sido colhida antes do início das chuvas e destaca que não existe o risco de desabastecimento, lembrando, ainda, que as medidas governamentais foram tomadas "sob o pretexto de garantir o abastecimento interno" após as cheias no Rio Grande do Sul.

"Não só os sindicatos locais, mas também a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e a própria CNA detêm informações técnicas relevantes e dados de produção e colheita do arroz que demonstram que o risco de desabastecimento não existe e que a política de importação do arroz se revelaria desastrosa e contrária ao funcionamento do mercado", ressaltou.

Ainda conforme a CNA, o fato de o governo não ter discutido a medida com a participação do setor produtivo é uma das razões que levaram "aos equívocos de diagnóstico da situação, bem como à incapacidade de se identificar com precisão onde estariam os gargalos que poderiam suscitar investimentos imediatos".

A entidade alerta, ainda, que a importação do arroz "viola a Constituição e se revela uma medida abusiva de intervenção reprovável do Poder Público na atividade econômica, restringindo a livre concorrência".

Por último, argumenta a entidade, "o arroz produzido e colhido pelos produtores rurais gaúchos certamente sofrerá com a predatória concorrência de um arroz estrangeiro, subsidiado pelo governo federal e vendido no Brasil fora dos parâmetros econômicos de fixação natural de preços".

No sábado, 1º, em entrevista à CNN Brasil, o ministro da Agricultura e Pecuária,

Por

A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.

 

 

Belo Horizonte