China firma acordos para abertura de quatro novos mercados com o Brasil
Aberturas podem render US$ 450 milhões por ano. China é, hoje, o principal parceiro comercial do país

Uva frescas, gergelim, sorgo e produtos derivados de peixe são os quatro novos produtos que o Brasil deverá exportar para a China nos próximos anos. A novidade foi anunciada durante a visita do presidente chinês Xi Jinping a Brasília (DF) nesta quarta-feira (20), juntamente com acordos de cooperação técnica no setor agropecuário. Os protocolos e entendimentos aconteceram no Palácio do Alvorada com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
A China é hoje o principal parceiro comercial do Brasil. Com a abertura dos quatro mercados, o Brasil registra a conquista de 281 mercados agropecuários desde o início de 2023.
Os requisitos fitossanitários e sanitários foram definidos por meio de protocolos firmados entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Administração Geral de Aduana da China (GACC) para a exportação dos produtos.
"O agronegócio continua a garantir a segurança alimentar chinesa. O Brasil é, desde 2017, o maior fornecedor de alimentos da China", ressaltou o presidente Lula. O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, participou das cerimônias e destacou a importância da retomada da boa relação diplomática entre Brasil e China, que completou 50 anos em 2024. "O Brasil já se mostrou um país confiável na posição de maior fornecedor de alimentos e energia renovável e podemos continuar ampliando cada vez mais as parcerias, pois temos gente vocacionada, tecnologia e condições de intensificar nossa produção com sustentabilidade", destacou o ministro Carlos Fávaro.
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Potencial comercial é de cerca de US$ 450 milhões
Considerando a demanda chinesa dos produtos frutos dos protocolos assinados ao longo de 2023 e a participação brasileira nesses mercados, o potencial comercial é de cerca de US$ 450 milhões por ano, conforme estimativa da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Mapa.
“Mas se levarmos em conta outras variantes de mercado e o potencial brasileiro, podemos comercializar muito mais, ultrapassando a cifra de US$ 500 milhões por ano. Nestes quatro produtos, a China importa quase US$ 7 bilhões e o Brasil vem se consolidando cada vez mais como um parceiro estratégico, confiável e seguro", disse o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua.
Chineses amam gergelim e compraram US$ 1,53 bilhão do produto em 2023
Maior importadora de gergelim do mundo, com participação de 36,2% nas importações globais do produto, a China desembolsou US$ 1,53 bilhão em 2023 na compra deste produto. Já o Brasil, que ocupou a sétima colocação nas exportações, representando 5,31% do comércio mundial, vem aumentando sua área de plantio do pulse. Além disso, o país asiático é um grande consumidor de uvas premium e importou mais de US$ 480 milhões deste produto no ano passado.
Fruta chega aos consumidores chineses com registro de 2% no comércio mundial
No caso das uvas frescas de mesa, deverão ser exportadas frutas majoritariamente dos estados de Pernambuco e da Bahia. Pomares, casas de embalagem e instalações de tratamento a frio devem cumprir boas práticas agrícolas e ser registrados no Mapa.
Já as empresas exportadoras de farinha de peixe, óleo de peixe e outras proteínas e gorduras derivadas de pescado para alimentação animal devem implementar o sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) ou sistema de gerenciamento com base nos princípios da APPCC; estabelecer e executar um sistema para garantir o recall e a rastreabilidade dos produtos; ser aprovadas pelo lado brasileiro e registradas pelo lado chinês. O registro será válido por 5 anos.
As matérias-primas devem ser provenientes de pescado (exceto mamíferos marinhos) capturados na zona marítima doméstica ou em mar aberto e da criação de pescado em cativeiro, ou de subprodutos de pescado provenientes de estabelecimentos que manuseiam pescado para consumo humano.
(*) Com informações do Mapa.
Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais 'Hoje em Dia' e 'O Tempo' e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



