Avanço do greening ameaça pomares de citros no Paraná e exige rigor no combate
Com a proliferação da bactéria transmitida por inseto em 164 municípios e o risco iminente de colapso produtivo na citricultura, Adapar e Sistema FAEP fixam regras severas que obrigam o monitoramento contínuo e a erradicação de árvores infectadas

O greening (Huanglongbing ou HLB), principal ameaça fitossanitária à citricultura mundial, continua se alastrando pelas lavouras paranaenses. Dados da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) revelam que 164 municípios já registraram a presença da bactéria Candidatus Liberibacter spp., transmitida pelo inseto psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri). A gravidade do cenário levou o Sistema FAEP a emitir um alerta reforçando a urgência da adoção de medidas severas de prevenção e manejo nos pomares.
A contaminação afeta polos citrícolas estratégicos, como as regiões Norte, Noroeste e o Vale do Ribeira. Nas plantas, os efeitos da infecção são severos: amarelamento irregular das folhas, deformação e manchas nos frutos, queda precoce e perda drástica de produtividade, culminando na morte prematura das árvores. Como o inseto vetor transita facilmente entre propriedades vizinhas, a contaminação em um único pomar coloca em risco toda a produção regional.
“A sanidade depende do compromisso de todos os elos da cadeia produtiva. Precisamos unir esforços para que a orientação chegue ao produtor e se traduza em ações no campo. No combate ao greening, o cuidado em cada propriedade contribui para proteger os pomares de toda a região e do Paraná”, destacou o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.
Novas regras e rigor fiscalizatório
Para conter o avanço da praga, a Adapar publicou a Portaria 105/2026, elaborada com apoio técnico do Sistema FAEP. A norma estabelece um protocolo obrigatório tanto para propriedades comerciais quanto para áreas urbanas e viveiros de mudas.
Segundo Elisangeles Baptista de Souza, técnica do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP, o combate falha quando há descuido coletivo. “A prevenção exige atenção mesmo onde ainda não há sinais da doença. Uma propriedade pode manter o controle do próprio pomar e continuar exposta ao inseto vindo de áreas próximas. Por isso, identificar plantas com sintomas, controlar o psilídeo e eliminar fontes de contaminação dependem da participação de todos”, pontuou.
Diego Juliani de Campos, chefe de divisão de Sanidade da Citricultura da Adapar, ressalta que até mesmo quintais urbanos e pomares caseiros estão no rastro da fiscalização. “Essas áreas não comerciais, apesar de terem menos plantas, mantêm o reservatório da bactéria e do psilídeo ativos na região”, explicou.
O que determina a Portaria 105/2026:
-
Cadastro obrigatório: propriedades comerciais com 50 ou mais plantas de citros devem ser cadastradas na Adapar.
-
Monitoramento e relatórios: vistorias trimestrais são obrigatórias nos pomares comerciais, com entrega de dois relatórios anuais de inspeção à Adapar (até 15 de julho e 15 de janeiro).
-
Erradicação de plantas doadas/infectadas:
-
Árvores doentes com até 8 anos ou mais de 15 anos devem ser eliminadas imediatamente.
-
Plantas de 9 a 12 anos infectadas têm prazo de até 4 anos para remoção; as de 13 a 15 anos têm prazo de 3 anos. Após o período de transição, a eliminação passa a ser imediata para qualquer idade.
-
Se mais de 50% das plantas de um talhão apresentarem sintomas, todo o talhão deve ser erradicado.
-
-
Raio de exclusão urbana e não comercial: em municípios afetados, é proibida a manutenção de plantas hospedeiras não comerciais em um raio de 4 km ao redor de pomares comerciais.
-
Comércio de mudas: viveiros e comerciantes devem manter as mudas obrigatoriamente em estufas protegidas por telas anti-inseto para evitar a entrada do vetor.
Nas localidades onde ainda não há registro da praga, a fiscalização segue coletando amostras de plantas suspeitas para análise laboratorial em Curitiba. Caso sejam encontradas irregularidades nos pomares monitorados, os produtores são notificados e sujeitos às sanções previstas na legislação estadual.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



