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Alerta no RS: 'Chill Index' avisa para risco aos ovinos com a chegada do frio

Baixa eficiência reprodutiva tem sido associada com a alta mortalidade perinatal, morte do feto ou recém-nascido

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Ovelha
<b>Das 199 mortes</b>, 194 são ovinos, 4 caprinos e 1 bovino • Pixabay/ Banco de imagem

Com a chegada do frio e até neve em algumas região do Sul do país, os cuidados com os animais no campo são fundamentais. Os ovinos são um grupo que merece ainda mais atenção no período.

Estudos mostram que alguns dos problemas que ocorrem onde a ovinocultura é explorada de modo extensivo, são as altas taxas de mortalidade perinatal dos cordeiros.

Em rebanhos criados a campo no Rio Grande do Sul, a baixa eficiência reprodutiva tem sido associada com a alta mortalidade perinatal - morte de um feto ou recém-nascido - de cordeiros, que variam de 15% a 40% dentro das 72 horas após o nascimento, sendo o complexo inanição-exposição (fome/frio) o responsável pela maioria dessas mortes. Fatores ambientais como aumento do vento, chuvas abundantes e baixas temperaturas podem aumentar os efeitos adversos desse complexo.

Pensando nestas questões e buscando prever ou reduzir a influência negativa nos ovinos a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) criou um sistema que alerta os produtores sobre a chegada do frio.

“Nós desenvolvemos aqui na Seapi, em uma parceria entre o Departamento de Desenvolvimento e Pesquisa Agropecuária e o Simagro, uma ferramenta com informações sobre as condições ambientais para nascimento dos cordeiros, chamada “Chill Index”, ou “índice de frio”, explica o médico veterinário do CESIMET/Seapi, de Hulha Negra, Gabriel Fiori. É um índice biometeorológico relacionado à probabilidade de sobrevivência de cordeiros nas primeiras 72 horas de vida e naquelas semanas após a esquila.

“O índice considera fatores como temperatura e vento, que afetam a capacidade do animal de manter a temperatura corporal, e é utilizado para alertar sobre o risco de estresse térmico, que pode levar à morte”, afirma o coordenador do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro), meteorologista Flávio Varone.

Como o índice funciona

Estudos prévios permitiram associar diferentes valores do índice de resfriamento com o risco de mortalidade de cordeiros ao nascer. Com base nestes estudos, os níveis de risco e mortalidade potencial de cordeiros em relação a quatro faixas de coloração (normalidade, leve atenção, atenção e alerta) foram estabelecidas para o índice, indo do verde ao vermelho:

  • Verde indica normalidade, não havendo risco de mortalidade de cordeiros
  • Amarelo: indica leve atenção
  • Laranja: atenção
  • Vermelho: risco de mortalidade é crítico, com uma taxa de mortalidade de cordeiros (considerando como parâmetro gêmeos Merino) maior que 73%.

“A ferramenta serve de apoio na tomada de decisão do produtor em agir para contornar as adversidades previstas, utilizando manejos como abrigos, maior frequência de recorridas nos potreiros de parição (duas ou mais vezes por dia), alimentação energética para as matrizes, além de estar preparado para atender e dar suporte a cordeiros hipotérmicos (“encarangados”)”, explica Fiori. Ele afirma que é importante o rebanho chegar a este período com adequada condição nutricional e sanitária.

O Chill Index deve ser usado como um complemento a técnicas já desenvolvidas pelos criadores, possibilitando o aumento dos resultados produtivos da ovinocultura gaúcha.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde