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Agrotóxicos e fertilizantes podem ameaçar ecossistemas aquáticos; entenda

Pesquisa revela que combinação de resíduos agrícolas pode afetar organismos que vivem na água e comprometer o equilíbrio ecológico

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Pesquisadores alertam para necessidade de monitoramento contínuo • Allan Pretti Ogura | Reprodução Jornal da USP

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) acende um alerta sobre os impactos ambientais do agronegócio: a combinação de agrotóxicos e vinhaça, um resíduo da produção de etanol, tem provocado desequilíbrios significativos em ecossistemas aquáticos como rios, lagos e lagoas.

A pesquisa aponta que essas substâncias chegam aos corpos d’água por diferentes caminhos, como o escoamento da chuva, a infiltração no solo e até a pulverização agrícola. Uma vez presentes nesses ambientes, elas podem afetar diretamente organismos aquáticos, desde algas até peixes, comprometendo toda a cadeia alimentar.

Os agrotóxicos, amplamente utilizados na agricultura brasileira, já são conhecidos por sua alta persistência no ambiente. Parte significativa desses produtos não atinge apenas as pragas, mas também contamina o solo, o ar e os recursos hídricos. Esse acúmulo pode gerar efeitos tóxicos crônicos, como alterações hormonais e problemas reprodutivos em espécies aquáticas. 

Já a vinhaça, utilizada como fertilizante em plantações de cana-de-açúcar, também representa risco quando atinge rios e lagoas. Rica em nutrientes como nitrogênio, ela pode provocar a proliferação excessiva de algas, fenômeno que reduz o oxigênio disponível na água e ameaça a sobrevivência de diversas espécies. 

O problema se agrava quando essas substâncias são combinadas. De acordo com a pesquisa, a interação entre agrotóxicos e vinhaça pode intensificar os efeitos tóxicos, aumentando a mortalidade de organismos aquáticos e alterando o equilíbrio natural desses ecossistemas. 

Especialistas alertam que o cenário é ainda mais preocupante diante da expansão agrícola e da flexibilização de políticas ambientais. O comprometimento da biodiversidade aquática pode gerar impactos em cadeia, afetando desde a qualidade da água até atividades econômicas que dependem desses recursos, como a pesca e o abastecimento humano.

Para driblar esses efeitos, os pesquisadores defendem o fortalecimento da fiscalização, o monitoramento da qualidade da água e a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis como medidas urgentes para evitar danos irreversíveis aos ecossistemas.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.