Apicultores do Norte de Minas não têm do que reclamar. Nos últimos anos, uma série de fatores contribuíram para alavancar a produção na região: maior oferta de assistência técnica, profissionalização, organização por meio de associações, atuação da Cooperativa de Apicultores de Bocaiúva (Coopemapi) e conquistas como o registro de Indicação Geográfica, espécie de Denominação de Origem concedida pelo INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) ao mel da flor de aroeira. O presidente da Coopemapi, Luciano Fernandes de Souza, diz que as exportações do produto já aumentaram cerca de 30% e a expectativa para 2023 é triplicar o volume processado.
Outro fator que deve alavancar o envio do produto para o exterior é a aprovação pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) de embarcar o mel em baldes e tambores. “Nosso desafio, hoje, é organizar a cadeia para que não haja mais pedidos do que nossa capacidade de produzir”. De acordo com Fernandes, são processadas hoje, pela cooperativa, 250 toneladas de mel por ano e a projeção para 2023 é de 600 toneladas.
O otimismo tem razão de ser. Já estão sendo instalados, pela Codevasf, na região, 25 contêineres (que irão se somar a outros 13 já existentes) para extração do mel em diversos municípios. Esses equipamentos serão de uso coletivo dos produtores e devem garantir que o trabalho seja feito ainda com mais qualidade, seguindo as normas sanitárias e de rastreabilidade do MAPA.
Além disso, o presidente da Coopemapi diz que parcerias com a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) e Universidade de São Paulo (USP) têm garantido o importante trabalho de pesquisa a respeito dos diversos méis da região e suas propriedades. São muitas variedades, sendo as mais conhecidas: o mel de pequi, o mel do cipó de uva, o mel do café, o mel de velame, o mel de betônica, o mel de copaíba e o mel da flor de abacate. “Há muitos benefícios ainda desconhecidos”, acredita.
A inclusão do Norte de Minas na Rota do Mel - programa do governo federal criado em 2017 - trouxe recursos e uma carteira de projetos dos quais fazem parte 16 associações e 16 entidades. Outro fator positivo, de acordo com Fernandes, é a existência de uma Câmara Técnica Regional que discute os gargalos e busca melhorias sistematicamente. Não é à toa que 1500 apicultores da região produzem, aproximadamente, mil toneladas de mel por ano.
Setor produz 7 mil toneladas por ano
De acordo com a Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a atividade apícola está presente em 580 municípios mineiros e gera em torno de 45 mil empregos diretos e indiretos. Em 2021, foram produzidas 7. 155 mil de produtos apícolas em Minas, entre mel e própolis, volume que deve crescer para 7.512 toneladas em 2022. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Minas Gerais conta com 6.617 agricultores familiares e 1.254 dos demais portes. No Estado estão instaladas cerca de 150 associações de apicultores.
Ranking por região
A região mineira que mais produziu mel, em 2021, conforme a Federação Mineira de Apicultura (Femap), foi a dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri com (22,7%), seguida por:
Região Central (15,2%)
Sul de Minas (14,5%)
Rio Doce (12,8%)
Zona da Mata (11,3%)
Norte de Minas (9,3%)
Centro-Oeste (6,4%)
Triângulo (4,2%)
Alto Paranaíba (2,3%)
Noroeste (1,2%).
Minas Gerais é o quinto maior produtor nacional de mel, de acordo com o IBGE.
Fonte: Femap (2021)