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Paralisação na ferrovia Vitória-Minas causou prejuízo milionário

Ferrovia foi liberada na quinta-feira à tarde e o transporte de cargas voltou à normalidade na sexta, enquanto o Trem de Passageiros voltou a circular neste sábado

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Bloqueio na EFVM gera prejuízo estimado em R$ 774 milhões à Vale em seis dias • Stéphano Mattos/ Divulgação

O bloqueio da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), em Resplendor, no Vale do Rio Doce, gerou prejuízo estimado em mais de meio milhão à Vale após seis dias de paralisação. A interdição, iniciada no último sábado (21) por indígenas Tupinikim e Guarani, interrompeu o transporte de cargas e passageiros até a liberação da linha no fim da tarde de quinta-feira (26).

Segundo estimativas da Vale, a EFVM movimenta cerca de 85 milhões de toneladas de minério por ano, o equivalente a 233 mil toneladas por dia. Com o preço médio da tonelada em torno de US$ 105, o prejuízo diário pode chegar a R$ 129 milhões. Em seis dias de bloqueio, o impacto acumulado é estimado em aproximadamente R$ 774 milhões.

Também foram impactados o transporte de passageiros, com cerca de 11,5 mil pessoas afetadas, e a distribuição de combustíveis, com 1 milhão de litros de diesel que deixaram de ser entregues. O transporte de cargas foi retomado ainda na sexta-feira (27).

Fim da manifestação

A desobstrução ocorreu após diálogo entre as comunidades indígenas e as mineradoras Vale, Samarco e BHP Billiton. Segundo as aldeias Pau Brasil, Irajá e Caieiras Velha, a liberação foi condicionada ao compromisso de abertura de uma mesa de negociação direta com os povos ligados ao Conselho Territorial.

“A ferrovia Vitória Minas, no município de Resplendor MG, foi desobstruída em um ato de boa-fé do povo Tupinikim. Diante da proposta apresentada pela Vale, na qual se comprometeu estabelecer uma mesa de negociação direta para um acordo com as Aldeias ligadas ao Conselho Territorial, como ato de boa fé as Aldeias Pau Brasil, Caieiras Velha e Irajá decidiram liberar a operação da ferrovia Vitória Minas. A decisão demonstra disposição para o diálogo com a empresa Vale, Samarco e BHP”, informou a Aldeia Tupinikim Pau Brasil, em nota.

A manifestação foi motivada por críticas ao processo de reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em 2015. Conforme a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o movimento reuniu mulheres, jovens e famílias atingidas pela contaminação da bacia do rio Doce.

Segundo a entidade, há questionamentos sobre a garantia do Auxílio de Subsistência Emergencial e sobre a falta de diálogo com as comunidades. Os manifestantes afirmam que o objetivo foi “denunciar a falta de diálogo para que a reparação aconteça de forma justa”.

Procurada, a Vale não detalhou os prejuízos nem comentou o acordo para uma mesa de negociação firmado com as comunidades. Em nota, limitou-se a informar que “as viagens do Trem de Passageiros da Estrada de Ferro Vitória a Minas serão retomadas neste sábado (28), nos dois sentidos, com partidas às 7h da manhã de Minas Gerais e do Espírito Santo”.

Já a Samarco informou que estão em andamento as consultas públicas aos povos indígenas conforme previsto no Novo Acordo do Rio Doce. “A empresa mantém canais de diálogo permanente com os povos indígenas, instituições de Justiça e Poder Público”, disse em nota.

Passageiros

A Vale orienta que passageiros com viagens canceladas entre os dias 21 e 27 de março podem remarcar os bilhetes ou solicitar reembolso em até 30 dias, pelo canal Alô Vale, no telefone 0800 285 7000.

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Jefferson Rocha é jornalista graduado pelo Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais e tem 25 anos de experiência em rádio. É repórter da Itatiaia Vale do Aço.