Turismo sênior cresce no Brasil e exige nova abordagem de agentes de viagens
Especialista afirma que viajantes acima de 60 anos buscam experiências mais significativas e redesenham o mercado turístico

O turismo sênior deixou de ser um nicho associado apenas a viagens tradicionais e se consolidou como um dos públicos mais ativos e exigentes do setor. A avaliação foi feita pelo consultor e palestrante especializado no segmento 60+, Ariel Figueroa, durante palestra realizada na tarde de sexta-feira (8), na Expo Turismo Paraná 2026.
Para ele, fatores como o aumento da longevidade, os avanços tecnológicos e as mudanças de comportamento vêm impactando esse perfil de viajante. Ainda assim, o mercado insiste em enxergar esse público a partir de estereótipos ultrapassados, enquanto a realidade aponta para uma geração mais ativa, conectada e interessada em novas experiências.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçam o avanço do envelhecimento populacional: em 2022, o Brasil registrou 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 15,6% da população. Segundo o consultor, quando bem atendido, esse público pode realizar até quatro viagens por ano, entre férias longas, escapadas curtas e roteiros de fim de semana.
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Turismo sênior
Ariel Figueroa ressaltou a importância da fidelização e do atendimento personalizado por parte das agências de viagens, além de criticar a visão limitada ainda associada ao turismo sênior. “Essa geração escuta música atual, frequenta academia e busca vivências diferentes. O conceito de velhice passiva já não existe mais”, disse.
O segmento, segundo ele, se divide em diferentes nichos, com demanda crescente por turismo cultural, religioso, de aventura, bem-estar e experiências ligadas ao desenvolvimento pessoal. Entre as tendências, ganha força o chamado “slow travel”, voltado a vivências mais profundas e menos apressadas.
As viagens com apelo de memória afetiva também se destacam, com turistas buscando revisitar lugares marcantes de suas histórias pessoais. Já o turismo multigeracional, especialmente entre avós e netos, aparece como outra tendência relevante, por fortalecer vínculos familiares e criar novas experiências compartilhadas.
Na avaliação do consultor, um dos principais desafios do setor está na forma de comunicação com esse público. “O agente de viagens precisa ouvir mais e vender menos no automático. Esse público sabe exatamente o que quer e valoriza atendimento de qualidade”, afirmou.
O palestrante também reforçou que o turismo 60+ não representa apenas uma tendência, mas uma transformação estrutural do setor. O envelhecimento da população brasileira e a busca por experiências mais significativas devem ampliar oportunidades para agentes de viagens e destinos turísticos. Mais do que vender pacotes, o setor precisará criar produtos com propósito, personalização e conexão humana.
Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente, é repórter multimídia no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Antes passou pela TV Alterosa. Escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.



