Por que a Groenlândia virou foco global e o que o turismo revela sobre a ilha
Interesse estratégico dos Estados Unidos no Ártico coloca a Groenlândia no centro das pautas; episódio do CNN Viagem & Gastronomia mostra como o turismo ajuda a entender a importância do território

As recentes movimentações dos Estados Unidos em relação ao Ártico reacenderam discussões diplomáticas envolvendo a Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca. A ilha voltou ao centro das atenções não apenas por questões políticas e militares, mas por fatores estratégicos ligados ao clima, às novas rotas marítimas e ao avanço do aquecimento global.
Nesse contexto, um episódio exibido em abril de 2023 pelo CNN Viagem & Gastronomia, apresentado pela jornalista Daniela Filomeno, ganha nova relevância. Ao acompanhar uma expedição pelo Ártico, o programa contribui para a compreensão de por que a Groenlândia deixou de ser apenas um território remoto e passou a ocupar um papel central nas discussões globais.
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Um território estratégico
http://www.thule.af.mil/images/baseshot.jpg , Domínio público, via Wikimedia Commons">A Groenlândia é estratégica do ponto de vista militar principalmente por sua localização no Ártico, entre a América do Norte e a Europa. A ilha abriga uma base operada pelos Estados Unidos usada para monitoramento e alerta antecipado de mísseis, além de permitir vigilância aérea e marítima em uma região que ganha importância com o degelo.
“É literalmente o olho mais externo da defesa americana”, disse Peter Ernstved Rasmussen, um analista de defesa dinamarquês em uma reportagem do Estadão. “Pituffik é onde os EUA podem detectar um lançamento, calcular a trajetória e ativar seus sistemas de defesa de mísseis. É insubstituível.
Durante a expedição mostrada no programa, esse contexto aparece associado ao acompanhamento de especialistas em clima e biodiversidade, que ajudam a traduzir os fenômenos observados no território.
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Impacto climático
Em um dos trechos do programa, Daniela Filomeno afirma que “essa viagem acaba sendo não só uma contemplação dessa vista incrível, mas também um pouco de educação para a gente”. A fala resume o tom adotado ao longo do episódio, que trata o turismo como uma forma de observação direta dos impactos ambientais.
Ao longo da expedição, a presença constante de especialistas reforça a ideia de que a Groenlândia funciona hoje como um grande observatório natural das mudanças climáticas. Monitoramentos ambientais, estudos sobre o gelo e análises de longo prazo fazem parte da rotina científica da região.
Esse conjunto de dados ajuda a explicar por que grandes potências mantêm atenção permanente sobre o território. A produção científica e o avanço do degelo caminham lado a lado com decisões políticas e estratégicas que extrapolam as fronteiras da ilha.
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Islândia como contraponto
A Islândia surge no episódio como um exemplo de adaptação a um ambiente extremo já incorporado ao cotidiano, enquanto a Groenlândia aparece como um território ainda em transição, onde o avanço do degelo acelera mudanças ambientais, científicas e estratégicas.
A comparação entre os dois países, apresentada ao longo da expedição, ajuda a entender por que a Groenlândia ganhou peso no debate global. O mesmo Ártico que, na Islândia, sustenta um modelo energético e social consolidado, na Groenlândia expõe gelo, dados científicos e novas possibilidades de acesso, fatores que ajudam a explicar o interesse crescente dos Estados Unidos na região.
Essa abordagem ajuda a contextualizar, por contraste, a Groenlândia, que hoje esta no centro das atenções internacionais após o interesse explícito dos Estados Unidos. Enquanto a Islândia surge no episódio como um exemplo de adaptação a um ambiente extremo já incorporado ao cotidiano, a Groenlândia aparece como um território ainda em transição, onde o avanço do degelo acelera mudanças ambientais, científicas e estratégicas.
A comparação entre os dois países, apresentada ao longo da expedição, ajuda a entender por que a Groenlândia ganhou peso no debate global. O mesmo Ártico que, na Islândia, sustenta um modelo energético e social consolidado, na Groenlândia expõe degelo, e novas possibilidades de acesso, fatores que ajudam a explicar o interesse crescente dos Estados Unidos na região.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.



