Depois de filas de até 7 horas, imigração no Aeroporto de Lisboa reduz tempo de espera

Em resposta às críticas registradas em dezembro, o Governo de Portugal aprovou um pacote de investimentos de até 7,5 milhões de euros entre 2026 e 2028 para reforçar o controle migratório

Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa

Após registrar filas que chegaram a ultrapassar sete horas no controle de imigração durante o fim de dezembro, o Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, começou a apresentar redução significativa no tempo de espera dos passageiros. Segundo a RENA – Associação das Companhias Aéreas em Portugal, o tempo nas filas caiu para até uma hora, com picos pontuais pouco acima desse limite.

O cenário contrasta com o observado nas últimas semanas de 2025, quando passageiros relataram longas horas de espera, falta de informação e ausência de assistência adequada, incluindo dificuldades de acesso a água, alimentação e banheiros. As queixas se multiplicaram nas redes sociais, com relatos de idosos e crianças aguardando em pé ou sentados no chão, em meio ao aumento do fluxo típico do período de férias.

Reforço operacional

De acordo com o presidente da RENA, Paulo Geisler, a melhora é resultado de uma combinação de fatores. Entre eles, uma leve redução no tráfego aéreo e decisões recentes do governo português para aliviar a pressão sobre o controle de fronteiras.

Uma das principais medidas foi a suspensão por três meses da aplicação do Sistema de Entrada e Saída (EES), anunciada em 30 de dezembro. O sistema, que prevê a coleta de dados biométricos de passageiros no espaço Schengen, vinha sendo apontado como um dos fatores que ampliaram o tempo de atendimento. Além disso, desde a última terça-feira, o controle migratório passou a contar com o reforço de 24 militares da Guarda Nacional Republicana (GNR).

“As medidas surtiram efeito, sem dúvida nenhuma”, avaliou Geisler, em entrevista ao jornal ECO.

Infraestrutura ainda preocupa

Apesar da melhora, a avaliação do setor aéreo é de que o problema não está totalmente resolvido. Para a RENA, é necessário avançar em investimentos estruturais, com ampliação de espaço, mais conforto para os passageiros e melhor gestão das filas, especialmente em períodos de pico.

A ANA – Aeroportos de Portugal, responsável pela gestão do aeroporto, inaugurou nesta semana as obras de ampliação do Terminal 2, em cerimônia que contou com a presença do ministro das Infraestruturas e Habitação. Segundo Geisler, as condições “ainda não serão ideais”, mas a expectativa é de melhora gradual.

Em resposta às críticas registradas em dezembro, o Governo de Portugal aprovou um pacote de investimentos de até 7,5 milhões de euros entre 2026 e 2028 para reforçar o controle migratório no aeroporto de Lisboa. Os recursos, autorizados pelo Conselho de Ministros, serão usados pela Polícia de Segurança Pública (PSP) na compra de novos equipamentos, como portas eletrônicas, softwares especializados e serviços de manutenção.

O investimento integra o projeto Fronteiras Inteligentes do Espaço Schengen, que prevê aumento de cerca de 30% na capacidade dos equipamentos eletrônicos e físicos de controle de fronteiras, dentro do limite da infraestrutura atual.

Enquanto o sistema EES segue suspenso, com previsão de estar totalmente operacional até abril de 2026, a expectativa das companhias aéreas é de que a combinação entre mais quiosques eletrônicos, reforço de agentes e obras em andamento evite a repetição do caos registrado no fim do ano passado.

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego & Concursos.

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