Antes de ganhar projeção internacional e ser indicado ao Oscar, o ator
Antes de desaparecer sob as águas do Rio São Francisco, a cidade foi palco das primeiras experiências artísticas do ator. Em 1989, Moura apareceu ainda criança no documentário O Sertão Que Virou Mar, no qual relata a experiência de deixar o município onde passou a infância.
Rodelas
A antiga Rodelas precisou ser abandonada após o fechamento das comportas da hidrelétrica, concluída em 1988, etapa necessária para a formação do reservatório. Os moradores foram transferidos para a chamada Nova Rodelas, construída em uma área mais elevada próxima ao antigo centro urbano.
Hoje, da cidade original restou apenas a caixa-d’água que abastecia a população, visível acima do lago e considerada um símbolo da antiga comunidade.
A formação do reservatório também provocou o alagamento de outros municípios da região, como Barra do Tarrachil, na Bahia, e Petrolândia e Itacuruba, em Pernambuco.
Primeiros passos no teatro
Às margens do rio São Francisco, a velha Rodelas tinha a pesca e a vida ribeirinha como base do cotidiano – Divulgação/Prefeitura de Rodelas
Foi em Rodelas que Wagner Moura teve os primeiros contatos com o teatro. Em 1987, ainda criança, ele participou de apresentações do grupo amador Guterchaplin, que permanece ativo na cidade.
A estreia aconteceu na peça “A Profecia”, um auto de Natal encenado nas ruas do município. Antes de se mudar novamente para Salvador, em 1990, o futuro ator ainda participou da montagem “A Estrela”.
Já na capital baiana, Moura aprofundou o interesse pelas artes cênicas. Aos 16 anos, começou a atuar em produções teatrais locais e pouco depois recebeu o Prêmio Braskem de Teatro na categoria revelação pela atuação na peça Abismo de Rosas, dirigida por Fernando Guerreiro.
Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, o ator chegou a trabalhar na televisão antes de consolidar carreira nos palcos. O reconhecimento nacional veio em 2000 com a peça A Máquina, de Adriana Falcão e João Falcão, em que dividiu cena com Lázaro Ramos.
O sucesso da montagem abriu caminho para o cinema e a televisão, iniciando uma trajetória que hoje soma mais de duas décadas de carreira e projeção internacional.