Você é uma pessoa impulsiva? Entenda a característica e saiba quando procurar ajuda
Mudanças persistentes no comportamento, acompanhadas de alterações no sono, energia, humor e percepção de riscos, podem indicar que a impulsividade precisa ser avaliada por um profissional

Agir sem pensar nas consequências faz parte da experiência humana. Gastar mais do que o habitual, tomar uma decisão repentina ou reagir de forma intensa pode acontecer com qualquer pessoa. O sinal de alerta aparece quando esse comportamento deixa de ser pontual e passa a representar uma mudança persistente em relação à maneira como a pessoa costuma agir.
Segundo especialistas em saúde mental, a impulsividade, quando aparece junto de outras alterações, pode estar relacionada a diferentes condições que afetam o humor. Por isso, uma atitude isolada não é suficiente para indicar um problema. O que importa é observar o conjunto de sinais e a duração das mudanças.
Nem toda impulsividade significa um problema
A impulsividade pode assumir diferentes formas. Algumas pessoas têm dificuldade para controlar uma reação, enquanto outras buscam recompensas imediatas ou tomam decisões rápidas quando estão sob forte influência das emoções.
Um estudo publicado na revista Brain Sciences destaca que essas diferentes manifestações podem ter significados distintos. Por isso, especialistas analisam o padrão de comportamento em vez de considerar apenas um episódio.
A situação merece mais atenção quando a impulsividade surge junto de mudanças no humor, no sono, na energia ou na disposição para assumir riscos e permanece diferente do funcionamento habitual da pessoa.
Mudanças no sono e na energia também importam
Nos transtornos do humor, a impulsividade pode aparecer acompanhada de outros sinais. De acordo com o 'National Institute of Mental Health (NIMH)', dos Estados Unidos, episódios de mania ou hipomania associados ao transtorno bipolar podem envolver aumento da energia, menor necessidade de dormir, irritabilidade e maior interesse por experiências prazerosas.
Nessas situações, a avaliação dos riscos também pode mudar. Com isso, comportamentos como gastos elevados, decisões repentinas ou projetos pouco realistas podem surgir de maneira diferente do que ocorreria em outros períodos.
Um metaanálise publicada na revista Psychological Medicine, que reuniu pesquisas sobre impulsividade e transtorno bipolar, apontou que esse comportamento pode permanecer elevado em diferentes fases do transtorno, e não apenas durante períodos de maior ativação.
Impulsividade também pode aparecer durante a depressão
Embora a depressão seja frequentemente associada à falta de energia e à apatia, a impulsividade não é incompatível com o quadro.
Em momentos de emoções negativas muito intensas, algumas pessoas podem apresentar respostas rápidas na tentativa de encontrar alívio imediato. Isso não significa necessariamente euforia ou aumento de energia.
Também existem situações em que sintomas de baixo humor aparecem ao mesmo tempo que características de aceleração. Nesses casos, observar apenas se a pessoa está triste ou eufórica pode não ser suficiente.
Mudanças no sono, na velocidade dos pensamentos, na irritabilidade e no comportamento podem oferecer informações importantes para compreender o que está acontecendo.
O comportamento pode continuar mesmo quando o humor melhora
Outro ponto destacado pelas pesquisas é que a impulsividade pode não desaparecer completamente quando uma pessoa com transtorno bipolar deixa de apresentar um episódio ativo.
O estudo publicado na Brain Sciences encontrou níveis mais elevados de impulsividade também entre pessoas em eutimia, período em que não estão passando por um episódio ativo. Isso indica que alguns aspectos desse comportamento podem permanecer mesmo quando o quadro parece estabilizado.
Quando procurar ajuda
A orientação dos especialistas é observar mudanças que persistem e aparecem acompanhadas de outros sinais. Alterações importantes no humor, sono, energia, velocidade do pensamento e disposição para assumir riscos podem justificar uma avaliação profissional.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



