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Veja o que diz a ciência sobre a formação da Calçada dos Gigantes na Irlanda

Paisagem reconhecida como Patrimônio Mundial da Unesco fica na costa da Irlanda do Norte

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Calçada dos Gigantes fica na Irlanda  • Pixabay/ reprodução

A formação de colunas de pedra vulcânica, localizada na costa da Irlanda do Norte, parece obra de gigantes. Dizem que o gigante Finn McCool construiu a calçada para enfrentar seu rival escocês, que fugiu destruindo tudo. A ciência explica o fenômeno de outro jeito: a partir dos processos naturais que moldaram esta paisagem única e reconhecida como Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

O que é a calçada dos gigantes?

A Calçada dos Gigantes é uma área na costa do Condado de Antrim, na Irlanda do Norte, caracterizada por aproximadamente 40.000 colunas de basalto, a maioria delas hexagonais, que se encaixam perfeitamente. Essas colunas variam em altura, formando degraus naturais que descem do pé de um penhasco e desaparecem sob o mar. É um exemplo notável de uma formação geológica conhecida como disjunção colunar. A beleza e a singularidade deste local o tornaram um importante ponto turístico e objeto de estudo científico.

Como se formaram os pilares de basalto?

A explicação geológica para a Calçada dos Gigantes remonta a um período de intensa atividade vulcânica que ocorreu há cerca de 50 a 60 milhões de anos, durante a era Paleogênica.

  1. Erupções vulcânicas: Grandes quantidades de lava basáltica, um tipo de rocha derretida com baixa viscosidade, irromperam através de fissuras na crosta terrestre. Essas erupções não eram explosivas como as de vulcões cônicos, mas sim efusivas, produzindo extensos fluxos de lava.
  2. Fluxos de lava espessos: A lava se espalhou pela paisagem, formando platôs e vales preenchidos com material incandescente. Na área da Calçada dos Gigantes, um desses fluxos de lava era particularmente espesso, com dezenas de metros de profundidade.
  3. Resfriamento e contração: À medida que o fluxo de lava começou a esfriar e solidificar, principalmente a partir das superfícies superior e inferior expostas ao ar e à rocha subjacente, ele sofreu contração volumétrica. É o mesmo princípio que causa rachaduras na lama seca ou no concreto que cura.
  4. Formação de fraturas: A tensão gerada pela contração fez com que a rocha solidificada se fraturasse. Essas fraturas começaram como trincas na superfície e se propagaram verticalmente para baixo à medida que o resfriamento avançava para o interior do fluxo de lava.
  5. Desenvolvimento das colunas: O padrão de fraturamento ideal para aliviar essa tensão de contração, minimizando a energia necessária, é uma rede de fraturas que se encontram em ângulos de aproximadamente 120 graus. Isso resulta na formação de colunas prismáticas. O resfriamento lento e uniforme de um fluxo de lava espesso e homogêneo favorece o desenvolvimento de colunas longas e bem definidas.

O basalto é a rocha ideal para esse tipo de formação devido à sua composição química e forma como se cristaliza ao resfriar, permitindo que as tensões de contração se distribuam de maneira a formar essas estruturas colunares.

Características das colunas de basalto

As colunas da Calçada dos Gigantes são notáveis por várias características:

  • Forma: Embora a maioria seja hexagonal (com seis lados), é possível encontrar colunas com quatro, cinco, sete ou até oito lados. A forma hexagonal é a mais comum porque é a configuração geometricamente mais eficiente para preencher um espaço plano com o mínimo de "paredes" ou fraturas sob tensão uniforme.
  • Altura e Diâmetro: As colunas variam consideravelmente em tamanho. Algumas atingem até 12 metros de altura, enquanto outras são bem menores. O diâmetro típico das colunas varia entre 30 e 50 centímetros, mas também há variações.
  • Aparência: As colunas se encaixam umas nas outras de forma compacta, criando a aparência de uma calçada pavimentada. As superfícies superiores das colunas são geralmente planas, e em alguns locais, onde diferentes camadas de fluxo de lava esfriaram, elas formam "degraus".
  • Material: Todas as colunas são compostas de basalto, uma rocha ígnea extrusiva (vulcanica) de grão fino e cor escura, rica em minerais como piroxênio e plagioclásio.

Por que a forma hexagonal é tão frequente?

A prevalência da forma hexagonal na disjunção colunar não é uma coincidência, mas sim um princípio físico. Quando um material homogêneo se contrai uniformemente enquanto esfria, a forma mais eficiente de aliviar a tensão interna é através de fraturas que formam ângulos de 120 graus. Se você imaginar pontos de contração distribuídos uniformemente em uma superfície, a maneira mais "econômica" em termos de energia para conectar esses pontos com fraturas é formando uma rede de hexágonos. Essa geometria minimiza o comprimento total das fraturas necessárias para dividir completamente a área, sendo, portanto, o padrão mais estável e energeticamente favorável. Embora desvios na homogeneidade do material ou na taxa de resfriamento possam levar a polígonos com um número diferente de lados, o hexágono é o resultado ideal sob condições uniformes. Este mesmo fenômeno pode ser observado em outras situações naturais onde materiais se contraem ao secar ou esfriar, como em rachaduras de lama ou em formações de amido.

A Calçada dos Gigantes é um testemunho impressionante do poder dos processos geológicos da Terra. A explicação científica, baseada na erupção, resfriamento e contração de vastos fluxos de lava basáltica, revela como forças naturais podem esculpir paisagens de beleza e simetria surpreendentes. As colunas de basalto, formadas pela física simples do resfriamento de rocha derretida, oferecem uma janela para o passado vulcânico da Irlanda e servem como um exemplo didático da disjunção colunar.

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