Veja hábitos simples que ajudam a estimular a memória e cuidar do cérebro
Ler livros, montar quebra-cabeças, jogar jogos de estratégia e aprender novas habilidades são atividades que estimulam a memória, a atenção e o raciocínio. Estudos indicam benefícios específicos do treinamento cognitivo, mas especialistas ressaltam que cuidar do cérebro exige uma abordagem ampla e não garante a prevenção da demência

Manter a mente ativa pode ser um passo importante para cuidar da saúde do cérebro ao longo da vida. Atividades comuns, como ler, jogar, montar quebra-cabeças e aprender algo novo, exigem atenção, memória e raciocínio, habilidades fundamentais para realizar tarefas do dia a dia.
No entanto, embora esses hábitos possam contribuir para estimular as capacidades mentais, não existe uma atividade isolada capaz de garantir a prevenção de doenças neurodegenerativas. As recomendações atualizadas da Organização Mundial da Saúde (OMS) destacam que o cuidado com a saúde cognitiva deve envolver diferentes aspectos da rotina.
A preocupação com a memória costuma aumentar diante de esquecimentos frequentes ou com o avanço da idade. Lembrar informações, concentrar-se, aprender e encontrar soluções para problemas são capacidades importantes para a autonomia e a qualidade de vida.
Quais atividades ajudam a estimular a memória?
A estimulação cognitiva pode incluir diferentes atividades individuais ou em grupo. A leitura, os jogos, a contação de histórias e o aprendizado de novas habilidades são exemplos de práticas que exigem esforço mental e ajudam a exercitar diferentes funções do cérebro.
Entre as opções que podem fazer parte da rotina estão:
- Ler livros: a leitura exige atenção e compreensão, além de estimular a capacidade de recuperar informações
- Montar quebra-cabeças: a atividade envolve observação, concentração e identificação de relações entre diferentes peças
- Jogar jogos de estratégia: esses jogos exigem planejamento, análise de possibilidades e tomada de decisões
- Aprender novas habilidades: experimentar uma atividade desconhecida desafia o cérebro a assimilar informações e desenvolver competências
- Contar histórias: organizar acontecimentos e recuperar detalhes de experiências exige o uso da memória e da linguagem
O mais importante é compreender que essas atividades não produzem necessariamente os mesmos efeitos em todas as pessoas. Os resultados dependem do tipo de exercício, das capacidades trabalhadas e das evidências disponíveis para cada intervenção.
Estudo acompanhou adultos mais velhos durante dez anos
Uma das pesquisas citadas na reportagem original é o estudo ACTIVE, sigla em inglês para Treinamento Cognitivo Avançado para Idosos Independentes e Vitalizados. O ensaio clínico acompanhou 2.832 adultos mais velhos que viviam de forma independente em seis cidades dos Estados Unidos.
Os participantes realizaram treinamentos direcionados a três áreas: memória, raciocínio e velocidade de processamento de informações.
O acompanhamento durou dez anos e identificou resultados diferentes conforme a habilidade exercitada. Os benefícios dos treinamentos de raciocínio e velocidade de processamento permaneceram nas capacidades específicas trabalhadas. Já os efeitos do treinamento de memória não se mantiveram na avaliação final dessa função.
A velocidade de processamento corresponde ao tempo necessário para o cérebro receber, interpretar e responder a uma informação. Essa capacidade participa de tarefas como reconhecer um sinal, comparar dados e responder a uma instrução.
O raciocínio, por sua vez, permite identificar relações entre elementos e encontrar soluções para problemas.
Os resultados reforçam a importância de distinguir exercícios estruturados, desenvolvidos para trabalhar determinadas funções cognitivas, de passatempos comuns ou aplicativos comerciais que prometem melhorar a memória.
OMS recomenda cuidados que vão além da ginástica mental
Em julho de 2026, a Organização Mundial da Saúde divulgou uma atualização de suas orientações para reduzir fatores associados ao declínio cognitivo e à demência, conforme informações reunidas pela organização Alzheimer Europe.
O documento inclui o treinamento cognitivo entre as intervenções que podem ser oferecidas a pessoas mais velhas com cognição normal ou comprometimento cognitivo leve. A recomendação, porém, é condicional, e o grau de certeza das evidências é considerado baixo.
Isso significa que os possíveis benefícios precisam ser interpretados com cautela. Embora os exercícios mentais possam contribuir para trabalhar habilidades específicas, não há evidências que permitam afirmar que qualquer atividade intelectual previne, por si só, a demência.
A orientação também considera a importância da atividade física, das relações sociais e do controle de condições de saúde. Dessa forma, o cuidado com o cérebro não deve ficar restrito a jogos de memória ou desafios intelectuais.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



