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Estas 3 frutas nativas amadurecem na primavera e podem ser cultivadas no quintal

Conheça três frutas nativas da Mata Atlântica que amadurecem entre agosto e dezembro; descubra quando colher e como fazer sucos e geleias.

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Estas 3 frutas nativas amadurecem na primavera e podem ser cultivadas no quintal
Estas 3 frutas nativas amadurecem na primavera e podem ser cultivadas no quintal • Foto: Freepik

Quem cultiva uma pitangueira no quintal reconhece o ritual: a primavera chega e a árvore se cobre de flores brancas. Dias depois, os frutos vermelhos começam a amadurecer e viram disputa com sabiás. Ao lado da uvaia e da grumixama, a pitanga forma um trio de frutas nativas da Mata Atlântica, fácil de encontrar no pé e raro de achar na banca.

A explicação está na fragilidade das três espécies. Elas amassam, oxidam e perdem a qualidade rapidamente depois de colhidas, o que inviabiliza o transporte até o comércio. Por isso, o melhor jeito de consumi-las é ter a própria árvore ou conhecer quem tem.

Por que essas frutas nativas não chegam às feiras

A perecibilidade impede que pitanga, uvaia e grumixama se tornem produtos comerciais em larga escala. A Prefeitura de Tapiraí descreve a uvaia como uma fruta que amassa com facilidade, oxida rapidamente e resseca em poucas horas, características que tornam a venda pouco viável.

Pesquisas científicas confirmam o obstáculo. Um estudo de doutorado da Esalq/USP, disponível na Biblioteca Virtual da FAPESP, aponta que a vida útil curta da uvaia limita o consumo do fruto in natura.

A grumixama enfrenta outro entrave: os plantios atuais vêm de sementes e geram árvores irregulares em produção e qualidade, segundo dissertação da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. Já a pitangueira, embora rústica, não possui cultivo em escala industrial, conforme registra a ficha técnica da Prefeitura de Tapiraí.

Calendário de floração e amadurecimento das três espécies

No Sudeste brasileiro, o trio concentra flores e frutos entre o fim do inverno e o início do verão. O Jardim Botânico de Jundiaí registra a uvaia florindo de agosto a outubro, com frutos alaranjados maduros de setembro a novembro.

A grumixama amadurece logo na sequência: os frutos ficam prontos entre outubro e dezembro, segundo a ficha da Prefeitura de Tapiraí. A pitangueira floresce durante a primavera, produzindo flores pequenas que atraem abelhas, e depois os frutos vermelhos disputados por pássaros.

O período varia conforme o clima de cada região, mas a tabela a seguir resume o padrão observado nas fontes oficiais:

| Fruta | Época de frutificação | Características do fruto | Pitanga | Floração na primavera | Vermelho, com variedades roxas e negras | Uvaia | Setembro a novembro | Amarelo a alaranjado, sabor ácido | | Grumixama | Outubro a dezembro | Roxo, preto ou amarelo conforme a variedade |

Na prática, a uvaia abre a temporada e a grumixama encerra o ano, permitindo que quem cultiva as duas tenha frutas nativas por meses consecutivos.

Como aproveitar a colheita sem desperdício

O ideal é colher e consumir imediatamente, ou transformar a fruta em outro produto que conserve por mais tempo. A uvaia, de sabor ácido, é mais usada em sucos e também vira compota, geleia, doce e licor.

A grumixama apresenta polpa doce e levemente ácida, sendo aproveitada em doces, xaropes, licores e geleias, conforme a pesquisa da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. A pitanga rende sucos, sorvetes e compotas.

No Rio de Janeiro, a pitanga ganha até apelido local: pitanga-lagarto, segundo registra a ficha da Embrapa Florestas.

O que considerar antes de plantar no quintal

Para quem deseja cultivar, a grumixama começa a produzir entre três e quatro anos após o plantio e se adapta tanto a sol pleno quanto à meia sombra. As sementes das três espécies exigem atenção: o Instituto Florestal de São Paulo as classifica como recalcitrantes, o que significa que perdem a viabilidade quando secam.

Por isso, se você conseguir sementes de grumixama, uvaia ou pitanga, plante logo após a colheita do fruto maduro. Não deixe as sementes secarem ao sol ou guardadas por muito tempo.

Busque mudas de espécies nativas em viveiros especializados ou em programas de distribuição de mudas da sua prefeitura.

Por que vale ter frutíferas nativas em casa

O quintal é o meio mais prático de ter acesso a essas frutas para quem não as encontra no comércio. O Instituto Florestal destaca que a grumixama serve tanto para recuperação de matas nativas quanto para alimentação.

A coloração roxa da grumixama indica presença de antocianinas, pigmentos com ação antioxidante. Se você já tem uma dessas árvores carregada nesta primavera, aproveite a safra e compartilhe com os vizinhos.

Caso ainda não tenha nenhuma das três espécies no seu pomar, procure uma muda nativa e comece o cultivo. Depois, você pode avaliar qual delas se tornou a favorita da casa.

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