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Quase ninguém faz isso, mas pode ser a chave para o café perfeito; confira

Pesquisadores descobriram que um detalhe simples no preparo aumenta a extração dos compostos responsáveis pelo sabor do café

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Técnica promete o café perfeito • Canva/ Banco de imagem

Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, identificou uma técnica simples capaz de deixar o café coado mais forte e saboroso sem a necessidade de utilizar mais grãos ou equipamentos sofisticados. O estudo foi publicado na revista científica Physics of Fluids e aponta que o segredo está na forma como a água quente é despejada durante o preparo.

Segundo os pesquisadores, o uso de uma chaleira de bico fino, conhecida como "pescoço de ganso", combinado com um fluxo contínuo de água despejado de uma altura maior, aumenta a extração dos compostos presentes no café. O resultado é uma bebida mais intensa e aromática, mesmo utilizando a mesma quantidade de pó. De acordo com Arnold Mathijssen, professor do Departamento de Física e Astronomia da Universidade da Pensilvânia e coautor do estudo, fatores como a altura da queda da água, a largura do jato e a velocidade do fluxo exercem influência direta sobre a qualidade final da bebida.

Os pesquisadores explicam que esses elementos afetam a movimentação das partículas de café dentro do filtro, aumentando o contato entre a água e o pó. Quanto maior essa interação, mais compostos responsáveis pelo sabor e aroma são extraídos.

Experimentos simularam preparo do café

Para compreender o fenômeno, a equipe de físicos substituiu inicialmente o pó de café por partículas de sílica gel e utilizou um cone de vidro para reproduzir as condições de um filtro tradicional. A experiência permitiu observar como diferentes formas de despejar a água influenciam a movimentação das partículas. Após essa etapa, os cientistas repetiram os testes utilizando café de verdade. A preparação foi feita com 10 gramas de café moído e 150 gramas de água aquecida a 95°C, despejada por uma chaleira comercial do tipo pescoço de ganso.

Os resultados mostraram que manter um fluxo contínuo de água, sem interrupções, favorece a circulação das partículas no fundo do filtro e aumenta a eficiência da extração. Como consequência, a bebida fica mais encorpada e concentrada.

Menos café, mais sustentabilidade

Além de melhorar o sabor, a técnica também pode contribuir para reduzir o consumo de grãos. Os autores do estudo recomendam que quem deseja utilizar menos pó aumente a distância entre a chaleira e o filtro durante o preparo. Segundo a pesquisa, essa estratégia prolonga o contato entre a água e o café, aumentando a extração dos compostos aromáticos e compensando a redução da quantidade de pó utilizada.

Os cientistas destacam ainda que a descoberta pode trazer benefícios ambientais. Com a produção mundial de café sendo impactada pelas mudanças climáticas, métodos que permitam obter uma bebida de qualidade utilizando menos matéria-prima podem ajudar a reduzir a pressão sobre lavouras, especialmente as de café arábica, uma das variedades mais sensíveis às alterações climáticas.

Para os autores, compreender como o fluxo de água interage com o leito de café é fundamental para tornar o processo de preparo mais eficiente. A expectativa é que as conclusões do estudo contribuam tanto para os apreciadores da bebida quanto para o desenvolvimento de práticas mais sustentáveis na cadeia produtiva do café.

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