Proteína demais pode atrapalhar o ganho de músculo e aumentar o peso? Entenda
Especialistas apontam sete erros comuns, como exagerar em suplementos, cortar carboidratos, descuidar da hidratação e deixar de lado fontes variadas de nutrientes

O aumento do consumo de proteínas ganhou espaço entre pessoas que querem ganhar massa muscular, perder peso ou melhorar o desempenho nos exercícios. Barras, shakes, pós e alimentos enriquecidos passaram a fazer parte da rotina de muita gente. Mas, segundo especialistas consultados pelo site argentino Infobae, aumentar a quantidade do nutriente sem considerar as necessidades individuais pode produzir o efeito contrário ao esperado.
A proteína é fundamental para a formação e a recuperação dos tecidos e também participa da produção de enzimas, hormônios e anticorpos. No entanto, seu benefício depende não apenas da quantidade consumida, mas também da qualidade das fontes e do equilíbrio com outros nutrientes, além de fatores como treinamento, descanso e hidratação.
Para adultos saudáveis e sedentários, as recomendações internacionais costumam indicar pelo menos 0,8 grama de proteína por quilo de peso corporal por dia. Para pessoas que praticam treinamento de força, as necessidades podem ser maiores. A faixa de 1,2 a 1,6 grama por quilo ao dia é citada como referência habitual para quem realiza esse tipo de exercício.
Isso não significa, porém, que quanto mais proteína uma pessoa consumir, maior será o ganho de músculos. O excesso pode aumentar a ingestão total de calorias e, quando existe um superávit energético, contribuir para o aumento da gordura corporal.
Os sete erros que podem atrapalhar os resultados
1) Fazer dos suplementos a base da alimentação
Barras, shakes e proteínas em pó podem ser práticos, mas não devem substituir uma alimentação variada. Segundo a nutricionista Jo Travers, citada pelo Infobae, alguns desses produtos são ultraprocessados e podem apresentar pouca fibra.
A American Heart Association também recomenda não depender exclusivamente de barras e pós, já que alimentos como ovos, iogurte, peixes, leguminosas, castanhas e sementes fornecem proteínas acompanhadas de vitaminas, minerais e outros nutrientes.
2) Consumir muito mais proteína do que o necessário
Outro erro é seguir recomendações genéricas das redes sociais e consumir mais de 2 gramas de proteína por quilo de peso corporal diariamente sem uma necessidade específica.
Segundo Travers, quantidades excessivas podem elevar o total de calorias ingeridas. A médica Marianela Aguirre Ackermann, da Sociedade Argentina de Nutrição, também destacou que o organismo não obtém automaticamente benefícios adicionais ao receber mais proteína do que consegue utilizar.
3) Cortar carboidratos e gorduras para priorizar proteínas
Eliminar ou reduzir drasticamente alimentos como pães integrais, cereais, frutas, leguminosas e fontes de gorduras saudáveis pode comprometer o fornecimento de energia.
A nutricionista esportiva Eugenia Gancedo explicou que “a proteína não é uma fonte de energia para treinar e, sem carboidratos e descanso, não há músculo possível”. Quando não há energia suficiente disponível, parte da proteína pode ser utilizada como combustível em vez de ser direcionada para a recuperação muscular.
4) Não considerar a alimentação em torno do treino
O organismo precisa de combustível para realizar o exercício e de nutrientes para se recuperar depois. Por isso, a alimentação ao longo do dia é mais importante do que simplesmente tomar proteína logo após sair da academia.
Travers recomenda combinar carboidratos e proteínas depois da atividade. Gancedo, porém, ressalta que a síntese de proteína muscular pode continuar por até 48 horas após o treinamento. Assim, o resultado depende do conjunto da alimentação e da regularidade do treino de força.
5) Esquecer a hidratação
Beber água também faz parte da estratégia para quem busca preservar ou aumentar a massa muscular. A formação dos tecidos e diversos processos metabólicos dependem de uma hidratação adequada.
De acordo com Travers, a falta de líquidos pode prejudicar a resposta do organismo mesmo quando a ingestão de proteínas é elevada. A Fundação Britânica do Coração, citada pelo The Telegraph, recomenda entre 400 e 600 mililitros de água duas ou três horas antes do exercício e mais um copo pouco antes do início. A quantidade necessária, entretanto, varia conforme o clima, a duração da atividade e a intensidade da transpiração.
6) Apostar sempre nas mesmas fontes de proteína
Também é importante observar de onde vem a proteína. Carnes processadas, como bacon, salsichas e embutidos, não devem ser a principal estratégia para aumentar o consumo do nutriente.
A American Heart Association recomenda variar as fontes, incluindo alimentos que fornecem outros componentes importantes. Peixes e frutos do mar, por exemplo, são fontes de ômega 3, enquanto os ovos fornecem, entre outros nutrientes, colina. Carnes magras, laticínios, peixes, ovos, leguminosas, castanhas e sementes também podem fazer parte de uma alimentação equilibrada.
7) Ignorar as proteínas vegetais
As proteínas vegetais também podem contribuir para o consumo diário. Leguminosas, castanhas, aveia, arroz, ervilhas e brócolis estão entre os alimentos que fornecem o nutriente.
Segundo Aguirre Ackermann, alimentos de origem animal geralmente apresentam todos os aminoácidos essenciais e alta biodisponibilidade. Já uma alimentação baseada em vegetais pode atender às necessidades de proteína quando é planejada com variedade e equilíbrio.
Leucina não substitui treino e alimentação equilibrada
Outro nutriente que ganhou destaque entre pessoas interessadas em ganho de massa muscular é a leucina, um aminoácido essencial envolvido na síntese de proteínas musculares.
O interesse pelo composto aumenta especialmente a partir dos 50 anos, período em que pode ocorrer uma menor resposta do organismo aos estímulos relacionados à formação de tecido muscular. Ainda assim, os especialistas citados pelo Infobae defendem que a leucina seja obtida preferencialmente por meio de alimentos como frango, peru, peixes, iogurte grego, queijo cottage e carne bovina, em vez de depender de suplementos isolados.
No fim, o ganho de massa muscular depende de vários fatores trabalhando em conjunto. O treinamento de força, a ingestão adequada de energia e nutrientes, o descanso e a hidratação fazem parte desse processo. A proteína é importante, mas não consegue compensar sozinha uma alimentação desequilibrada ou a falta de recuperação.
Necessidade de proteína varia de pessoa para pessoa
A quantidade ideal também não é igual para todos. Adultos mais velhos, atletas, gestantes, pessoas vegetarianas ou veganas e indivíduos com doenças crônicas podem apresentar necessidades específicas.
Os especialistas citados pelo Infobae também recomendam distribuir o consumo de proteína ao longo das refeições. Uma referência mencionada é de aproximadamente 20 a 40 gramas por refeição, dependendo do peso, do nível de atividade física e dos objetivos de cada pessoa.
Quem tem doença renal ou suspeita de apresentar algum problema nos rins deve evitar mudanças significativas no consumo de proteínas sem avaliação profissional.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



